03/09/2009

O MAIS NOVO IMORTAL


Essa semana começou bem. Me perguntaram em sala se D. Pedro II tinha sido presidente do Brasil, se o livro que Graciliano Ramos escreveu quando estava preso na Ilha Grande é o Memórias de um sargento de malícias [com "a" mesmo] e, para completar, se São Jorge foi guilhotinado durante a Revolução Francesa [eu estava com uma camisa do santo guerreiro]. Faz parte.

Confesso, porém, que isso é pinto perto da notícia mais impressionante dos últimos anos: Fernando Collor de Mello é o mais novo imortal da Acadêmia Alagoana de Letras. O senador, vejam vocês, é autor de grandes obras da prosa canarinho e eu não sabia. Collor escreveu, por exemplo, O desafio de Maceió; Maceió: 20 anos em 3 e O Manual dos Municípios. Vou imediatamente correr atrás para ler as obras do novo imortal, eleito com esmagadora maioria dos votos para a casa a qual pertenceu o poeta Jorge de Lima.

Collor é mais um presidente do Brasil a alcançar a imortalidade. Getúlio Vargas e José Sarney foram eleitos para a Acadêmia Brasileira de Letras. Vargas, inclusive, conseguiu a proeza de virar imortal sem escrever um mísero panfleto. Sarney, autor do livro de poemas Marimbondos de Fogo, derrotou na disputa o poeta Mário Quintana.

Meu imortal predileto, porém, continua sendo o general Aurélio de Lira Tavares. Ministro do Exército no governo Costa e Silva e entusiasmado defensor do AI-5, Lira Tavares fez parte da junta militar que assumiu o governo do Brasil quando Costa e Silva teve um derrame, num dos momentos mais pesados da ditadura. Governou o país, ao lado dos ministros da Marinha e da Aeronautica, até a posse do general Médici.

Entre um ato institucional e outro, Tavares foi poeta bucólico [palavras do próprio] e dedicou-se especialmente aos sonetos. Não lançou livros assinando o nome de batismo. Preferia usar o fabuloso epíteto de Adelita [A de Aurélio; Li de Lira e Ta de Tavares].

Adelita foi eleito para a Acadêmia Brasileira de Letras em 1970. Ocupou a cadeira de No 20, que tem como patrono Joaquim Manuel de Macedo. Vou procurar algum poema do general para postar aqui qualquer hora dessas.

Esse espaço, portanto, ciente da honra que eleva e consola, parabeniza a Acadêmia Alagoana de Letras pela escolha do imortal Collor de Mello e lança, desde já, uma ideia - que a nobre instituição, após a imortalidade de Collor, eleja para seus quadros mais um alagoano ilustre, que muito contribuiu para as letras canarinhas : Mário Jorge Lobo Zagallo.

Abraços.

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9 Comentários:

Blogger Bruno Ribeiro disse...

Simão, a primeira pergunta procede. Em entrevista à Playboy, pouco depois de ter sofrido o impechment, Fernando Collor revelou ter feito uma regressão, na qual descobriu que D. Pedro I havia reencarnado em sua pessoa. Portanto, o caçador de marajós esteve há apenas uma geração de ter conduzido D. Pedro II ao Palácio do Planalto, ainda que de forma pouco usual.

10:02 PM  
Blogger Daniel disse...

Vargas também é?
Só se for pelo bilhete de despedida...

12:05 AM  
Anonymous Marcelo disse...

Uma charge matou a charada:
http://www.jornalacidade.com.br/charges/2009/09/03/imortal.html

1:09 AM  
Blogger Luiz Antonio Simas disse...

BRUNO, excelente lembrança. Dona Rosane, a senhora do Collor, tinha sido a Marquesa de Santos.

DANIEL, Vargas foi eleito com votação impactante para a ABL. Quanto a carta testamento, não foi ele que escreveu... abraço.

MARCELO, boa!

6:38 AM  
Blogger Bezerra disse...

Simas, eu votei no Collor, nas eleições de 89. Na época, eu tinha apenas seis anos de idade. Acompanhei minha mãe até a urna, na seção eleitoral do Norte Shopping, e votei em seu lugar. Foi a maior travessura que fiz na minha infância. Meu lombo ainda dói, só de pensar na surra que levei da minha mãe.

2:26 PM  
Blogger leo boechat disse...

Bezzera, não se culpe! Nessa eleição não havia ainda a urna eletrônica! Sua mãe pode ter te dado uma surra de arrependimento, mas consentiu com seu voto na cédula.

10:12 AM  
Blogger Bezerra disse...

Tem razão, grande Boechat!

9:49 AM  
Blogger Szegeri disse...

Só pra lembrar que o trio constituído pelo Lira Tavares, o Rademaker e o Souza e Melo era carinhosamente alcunhado pela população de "Os três patetas"...

8:39 PM  
Anonymous Anônimo disse...

O Lira Tavares escreveu na época da ditadura um best-seller chamado:"Como desmontar e montar um canhão 305", e não era auto-ajuda não!
Flávio.

9:04 PM  

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