30 de ago de 2009

PERNAMBUCO NA SERRINHA


Estava dia desses tomando umas cervejas e jogando conversa fora com meu parceiro Beto Mussa. Tínhamos acabado de entregar à editora os originais do nosso livro sobre a história do samba-enredo. O tema do papo, claro, era esse.

No meio da conversa, houve o momento do óbvio. Esse mergulho doido no universo dos sambas reforçou a constatação de que Silas de Oliveira é, disparado, o maior compositor da história do gênero. Eis então que Mussa, tremendo escritor, diz a frase definitiva:

- Silas é o Machado de Assis dos sambas de enredo. Não... O Machado é que é o Silas de Oliveira da literatura.

Para reforçar a tese, vou compartilhar com os amigos uma das raridades do meu acervo particular de sambas - a gravação original, ao vivo, com puxadores, bateria e coro de pastoras do Império Serrano, do samba Pernambuco, Leão do Norte, hino imperiano de 1968. Foi registrada em um lp chamado Festival de Samba - Gravado ao vivo.

Há uma belo registro de Roberto Ribeiro desse samba. Me comove vigorosamente, porém, a versão original, com imperianos cantando a obra de Silas logo depois que ela foi feita - a gravação é de dezembro de 1967.

O registro é tecnicamente precário, é claro, mas impactante na majestade absoluta com que a Serrinha entoa - feito um hino religioso - essa exaltação a Pernambuco, num dos maiores exemplos do gênio que foi o Viga Mestre. É simplesmente o Império Serrano. E basta.

Para os imperianos de fé, é só clicar aqui e curtir essa raridade. Preparem os corações: o coro das pastoras é a coisa mais bonita do mundo!

Abraços

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10 Comentários:

Blogger Claudio Renato disse...

Silas de Oliveira pode ser comparado a Machado porque simplesmente não se contesta a superioridade de ambos, em samba-enredo e em literatura. Estão bem acima dos demais. E quem disse que samba-enredo não é literatura, e vice-versa?

Abraço,
CR

12:37 PM  
Blogger alberto disse...

Valeu a lembrança, Simão!
Agora, neste momento, em que estou praticamente sóbrio, ratifico a sentença. E olha que eu não sou imperiano! Sou samba de enredo!
abração
mussa

4:22 PM  
Blogger Bruno Ribeiro disse...

Sem mais, obrigado. Chorei.

6:41 PM  
Blogger Carlos Andreazza disse...

Porra, Simas: eu não podia chorar na frente dos estagiários, rs...

1:21 PM  
Blogger Marcelo Moutinho disse...

"praticamente sóbrio". boa, Mussa! rs

6:59 PM  
Blogger Luiz Antonio Simas disse...

CLAUDIO, é gênero épico, meu caro. Podes crer.

BRUNO, meu velho, saudades suas...

ANDREAZZA, você conhece minha mania por esse samba. Monumental! Saudações imperianas.

MUSSA, faço minhas as palavras do MOUTINHO.

ABRAÇOS

7:19 PM  
Blogger Chicão disse...

Pura Emoção.Obrigado Simas!

Por falar nisso...Quando sai o livro sobre sambas de enredo.

Um abraço em verde e branco.

Chicão
Grupo Imperion@utas

11:17 PM  
Blogger Luiz Antonio Simas disse...

CHICÃO, em janeiro o livro deve estar nas quebradas, com o Império devidamente contemplado.

Saudações serranas!

4:09 PM  
Anonymous alipio carmo disse...

Simas,

para regsitro da foto. Essa roda de samba no buraco quente, violão o grande Aluisio Dias no violão (professor de muitos na mangueira), mestre Tinguinha no tantan( o homem que introduziu a caixa nas escolas de samba), Nenem Cotó tocando pandeiro( personagem histórico do Morro: grande goleiro do Floresta de mangueira, dono de tendinha no buraco quente, diretor de bateria)
abs
Alípio

2:18 PM  
Blogger Luiz Antonio Simas disse...

Alipio, que beleza de registro, meu camarada.

Abração!

1:53 PM  

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