PERNAMBUCO NA SERRINHA

Estava dia desses tomando umas cervejas e jogando conversa fora com meu parceiro Beto Mussa. Tínhamos acabado de entregar à editora os originais do nosso livro sobre a história do samba-enredo. O tema do papo, claro, era esse.
No meio da conversa, houve o momento do óbvio. Esse mergulho doido no universo dos sambas reforçou a constatação de que Silas de Oliveira é, disparado, o maior compositor da história do gênero. Eis então que Mussa, tremendo escritor, diz a frase definitiva:
- Silas é o Machado de Assis dos sambas de enredo. Não... O Machado é que é o Silas de Oliveira da literatura.
Para reforçar a tese, vou compartilhar com os amigos uma das raridades do meu acervo particular de sambas - a gravação original, ao vivo, com puxadores, bateria e coro de pastoras do Império Serrano, do samba Pernambuco, Leão do Norte, hino imperiano de 1968. Foi registrada em um lp chamado Festival de Samba - Gravado ao vivo.
Há uma belo registro de Roberto Ribeiro desse samba. Me comove vigorosamente, porém, a versão original, com imperianos cantando a obra de Silas logo depois que ela foi feita - a gravação é de dezembro de 1967.
O registro é tecnicamente precário, é claro, mas impactante na majestade absoluta com que a Serrinha entoa - feito um hino religioso - essa exaltação a Pernambuco, num dos maiores exemplos do gênio que foi o Viga Mestre. É simplesmente o Império Serrano. E basta.
Para os imperianos de fé, é só clicar aqui e curtir essa raridade. Preparem os corações: o coro das pastoras é a coisa mais bonita do mundo!
Abraços
Marcadores: sambas-enredo

10 Comentários:
Silas de Oliveira pode ser comparado a Machado porque simplesmente não se contesta a superioridade de ambos, em samba-enredo e em literatura. Estão bem acima dos demais. E quem disse que samba-enredo não é literatura, e vice-versa?
Abraço,
CR
Valeu a lembrança, Simão!
Agora, neste momento, em que estou praticamente sóbrio, ratifico a sentença. E olha que eu não sou imperiano! Sou samba de enredo!
abração
mussa
Sem mais, obrigado. Chorei.
Porra, Simas: eu não podia chorar na frente dos estagiários, rs...
"praticamente sóbrio". boa, Mussa! rs
CLAUDIO, é gênero épico, meu caro. Podes crer.
BRUNO, meu velho, saudades suas...
ANDREAZZA, você conhece minha mania por esse samba. Monumental! Saudações imperianas.
MUSSA, faço minhas as palavras do MOUTINHO.
ABRAÇOS
Pura Emoção.Obrigado Simas!
Por falar nisso...Quando sai o livro sobre sambas de enredo.
Um abraço em verde e branco.
Chicão
Grupo Imperion@utas
CHICÃO, em janeiro o livro deve estar nas quebradas, com o Império devidamente contemplado.
Saudações serranas!
Simas,
para regsitro da foto. Essa roda de samba no buraco quente, violão o grande Aluisio Dias no violão (professor de muitos na mangueira), mestre Tinguinha no tantan( o homem que introduziu a caixa nas escolas de samba), Nenem Cotó tocando pandeiro( personagem histórico do Morro: grande goleiro do Floresta de mangueira, dono de tendinha no buraco quente, diretor de bateria)
abs
Alípio
Alipio, que beleza de registro, meu camarada.
Abração!
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