08/08/2009

BANG BANG NA CÂMARA ALTA


Nestes dias meio atribulados em Brasília, recebi email de um aluno indagando sobre o episódio em que o pai de Fernando Collor de Mello protagonizou um tiroteio e matou um colega do Senado Federal em plena sessão legislativa. Vamos aos fatos.

Foi no dia 4 de dezembro de 1963 que o senador Arnon de Mello sacou a arma em uma sessão do Senado Federal e mandou bala pra cima do senador Silvestre Péricles, seu inimigo político em Alagoas e a quem acusava de tramar seu assassinato.

Péricles, como um Garrincha das tribunas, driblou os tiros com impressionante habilidade e também sacou a arma - e o Senado viveu momentos de saloon do velho oeste.

Quem pagou o pato nesse bang bang parlamentar foi o suplente acreano José Kairala, que levara a mulher e as filhas ao parlamento para comemorar o último dia do seu mandato. Um dos tiros de Arnon acertou Kairala no peito, diante da família.

Há que se ressaltar que, mesmo no meio do pega pra capar, os parlamentares mantiveram a compostura, tratando-se, em pleno tiroteio, por Vossa Excelência, como pede o decoro da casa. Arnon de Mello, ao mandar bala pra cima de Péricles, gritava segundo testemunhas:

- Vossa Excelência vai morrer, filho da puta, safado. Me ameaçou!

Péricles, abaixado, respondia :

-Vossa Excelência é um crápula. Vossa Excelência é ladrão !

No final da zorra toda, com furo de bala até no teto do Senado, Arnon de Mello, o assassino de José Kairala, não sofreu qualquer tipo de punição pelo ato, protegido que estava pela imunidade parlamentar.

O grand finale do episódio aconteceu no dia seguinte. O jornal O Globo, de propriedade de Roberto Marinho - amigo e sócio de Arnon no jornal Gazeta de Alagoas - veio com um editorial em defesa do assassino, elogiando inclusive a cultura, a educação e a inteligência do bandoleiro alagoano. Um sujeito finíssimo, verdadeira flor de formosura, como a bala que matou Kairala na frente das filhas e da mulher. Dizia O Globo, nessa verdadeira pérola da imprensa canarinho:

"A democracia, apesar de ser o melhor dos regimes políticos, dá margem, quando o eleitorado se deixa enganar ou não é bastante esclarecido, a que o povo de um só estado - como é o caso - coloque na mesma casa legislativa um primário violento, como o Sr. Silvestre Péricles, e um intelectual, como o Sr. Arnon de Mello, reunindo-os no mesmo triste episódio, embora sejam eles tão diferentes pelo temperamento, pela cultura e pela educação".

Depois dessa do jornalão dos Marinho, não tenho, feito um Armando Falcão da rede virtual, nada a declarar.

Abraços

17 Comentários:

Blogger Francisco disse...

Lamentável, Sílvio Santos também teve seu crescimento apoiando essa bandidagens políticas. TV é fogo. Gostei da pergunta de Jô Soares pra José Serra perguntando se pra entrar na câmara tem que passar por detector de metais. ~; tá pegando fooogo esse realitu show do canal 11.

12:23 PM  
Blogger Paulo Pepulim disse...

Parece até mentira, mas tratando-se do Senado brasileiro é mais do que esperado.

Os pistoleiros continuam até hoje por lá...

Grande Abraço.

6:41 PM  
Anonymous Zumbi da Saúde disse...

O melhor desse lamentável episódio, sem dúvida, foi o editorial do jornal O Globo. FRANCAMENTE!!!

7:25 AM  
Blogger Ronaldo disse...

Eh foda mas ainda eh uma vergonha nacional o que acontece aih no Brasil... Os politicos, ainda nos dias de hoje, sao protejidos pela tao afamada IMUNIDADE PARLAMENTAR, uma porra duma Lei criada no Regime Militar, para proteger os politicos da Policia que matava mas nao roubava. Uma coisa que nao justifica a outra. Anyway, ainda tem muita coisa para ser feita... A primeira eh acabar com essa merda de IMUNIDADE e aih vamos ver o que vai dar com este bando de FDP ladroes...

abracos

naldeira doideira
london-uk

8:57 AM  
Blogger Cineasta 81 disse...

Que história incrível e absurda!
Você pode me passar essa matéria em maior resolução por e - mail para que eu possa ler?
jornalista81@gmail.com

Te linkei no meu blog. Parabéns pelo conteúdo.

10:50 AM  
Anonymous Anônimo disse...

O Brasil tem que progredir muito em todos os aspectos, principalmente na educação. Através de uma educação forte, as pessoas terão melhor dicernimento para escolher os seus representantes e assim evitar fatos lamentáveis como desse sujeito (pai do Fernando Collor de Mello) que assassinou seu colega de parlamento. Certamente se isso tive ocorrido num país altamente desenvolvido, o senador Arnon de Mello sairia algemado do senado e iria direto para a cadeia, onde pegaria, no mínimo, prisão perpétua. Somos mesmo uma republica das bananas!!!!!

11:12 AM  
Anonymous Guigo disse...

O casal Renan & Collor disputa com a famiglia Sarney quem tem o estado mais pobre da federação: Alagoas ou Maranhão. Por enquanto, Sarney está ganhando!
Nesta, o Piauí deixou esta turma para trás e não é mais nosso estado mais pobre. Aquelas piadinhas sobre o Piauí, nos anos 60 e 70, não mais se aplicam.

12:17 PM  
Blogger João disse...

O mais impressionante do texto é a constatação de que, naquela época, os caras trabalhavam até dezembro.

12:55 PM  
Anonymous Anônimo disse...

vcs.chaman este governo de democracia.um bando de hipócritas,demagogos e corruptos.quando é que o povo,vai tomar vergonha na cara.é expulsar estes politicos.quem manda neste pais é o povo.se vcs nao tem coragem para lutar por um ideal.que lutem pelo menos pelo futuro de seus filhos.deixem de serem frouxos.temos que expulsar,estes bandos de demagogos hipocritas e corruptos desde pais.Ednilton.Brito.salvador Bahia

3:47 PM  
Blogger leo boechat disse...

Realmente. essa d’O Globo foi demais. Saudades do BRIZA.

11:58 AM  
Anonymous Rodrigo Pian disse...

Professor,

Mas tem horas que eu ia gostar de ver uma porradaria das boas no Senado.

Não precisaria chegar ao ponto de apelarmos à pólvora, mas uns sopapos entre situação e oposição dariam muito mais hombridade e sinceridade às pelejas verbais de vocativos formais protagonizadas pelos nossos homens públicos.

Sei lá. Estou preferindo uma certa primitividade a essa hipocrisia babaca do senado. (Os homens públicos coreanos são bons nisso)!

(...)

(E ainda estou de cabelo em pé com o editorial d'O Globo).

1:39 PM  
Anonymous Anônimo disse...

Brasil, sil, sil!

4:25 PM  
Anonymous Mario Silva disse...

Professor,

me permita corrigir alguns "fatos" mencionados no post acima:

1. Arnon de Mello era um jornalista e intelectual. Nunca teve relacao com o banditismo e o crime de mando em Alagoas.
2. Sempre foi eleito para combater esses crimes que eram comandados pela familia de Silvestre Pericles e os Goes Monteiro. Para o senhor que eh professor seria muito facil pesquisar esses fatos.
3. Arnon de Mello foi ameacado de morte se subisse a tribuna para discursar. Silvestre andava armado. Nesse dia Arnon tambem levou uma arma.
4. Assim que Arnon subiu a tribuna, Silvestre sacou sua arma. Um senador que estava sentado ao seu lado impediu que ele disparasse em direcaoa Arnon.
5. Arnon sacou sua arma e atirou, atingindo o senador Kairala.
6. Arnon ficou preso por um tempo, aguardando que a justica se manifestasse. O senhor omite esse fato.
7. Arnon nao era socio do Roberto Marinho em 1963. Marinho nunca foi socio no jornal Gazeta de Alagoas. De onde o senhor tirou isso?

Estou errado?
abs,

Mario

12:25 PM  
Blogger Luiz Antonio Simas disse...

Mario,
obrigado pelo comentário. O texto não faz qualquer defesa de Silvestre Péricles, tanto que eu digo que Péricles ameaçou Arnon de morte, também sacou a arma e atirou.
Se Arnon foi preso imediatamente ou não, minhas fontes não esclarecem. Apenas afirmam que crime ficou impune, o que procede.
A vítima dessa história toda, me desculpe, não é Arnon, muito menos Péricles. A vítima é mesmo o pobre do Kairala.
E o editorial de O Globo é, sob qualquer justificativa, uma piada de péssimo gosto. Marinho e Arnon tinham sociedade.
Se Arnon era apenas jornalista e intelectual,e vou acreditar no senhor, é pena que o filho tenha degenerado.
Abraço

2:09 PM  
Anonymous Mario Silva disse...

Prof. Luiz,

obrigado pela resposta.

1. Acredito que seu desejo fosse narrar o fato inteiro. Por isso dei mais detalhes.
2. Quais sao as suas fontes? O fato dele ter sido preso me parece relevante, nao?
3. Concordo com sua opiniao sobre o editorial.
4. Volto a afirmar que Arnon e Marinho nao tinham sociedade no jornal. Tenho certeza disso. Qual a sua fonte sobre este fato?

Obrigado pela atencao,
Mario

6:29 PM  
Blogger Luiz Antonio Simas disse...

Mario,
A informação de que ele foi preso é evidentemente relevante. Por quanto tempo? É importante saber.Houve algum tipo de julgamento ou prevaleceu a imunidade parlamentar?
Peguei a informação da sociedade nos textos de Bernardo de Melo e Franco e do Observatório de Imprensa. Se o senhor, porém, diz ter certeza de que não havia a sociedade, devo - evidentemente - acreditar. Me esclareça, se possível, o seguinte - eles eram sócios em algum outro negócio, fora do jornal?
Obrigado pelos esclarecimentos.

7:43 PM  
Anonymous Anônimo disse...

i viva lempião!!!

1:18 PM  

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