A CLANDESTINIDADE DO PMDB
O Padre Antônio Vieira - grande prosador da língua portuguesa - escreveu uma História do Futuro, de teor rigosamente profético. Eis que, mais de trezentos e cinquenta anos depois, o homem de imprensa José Sergio Rocha calça as sandálias do profeta e - após experiência mística digna das melhores páginas do Velho Testamento - viu o futuro.
Zé Sergio profetizou que o PT e o PSDB empatarão nas próximas eleições presidenciais; governarão em aliança e, desta forma, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro - o PMDB - alijado do poder cairá na clandestinidade. E assim - podem apostar - será.
O Histórias do Brasil, a partir de hoje, comentará em tempo real as mais recentes notícias sobre a guerrilha pmedebista, contibuindo para a nova História do Futuro. Vamos lá.
O impressionante empate entre José Serra e Dilma Roussef no primeiro turno do pleito de 2010 deixou o país atônito. O senador Mão Santa tentou defender a posse da terceira colocada, Heloísa Helena, e do seu vice-presidente, o revolucionário franco-paraense Gracus Babá. O PDT viu no resultado uma poderosa articulação que fraudou o sistema das urnas eletrônicas. Os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes consultaram a voz das ruas e concordaram que era melhor aguardar o segundo turno. O segundo turno foi ainda mais impressionante. Os dois candidatos tiveram, cada um deles, 62.341.274 votos. Empate!
A voz das urnas foi escutada. Os partidos vencedores resolveram formar uma coligação. O PMDB, e vários de seus elementos infiltrados no DEM, no poder desde os tempos de Pero Vaz de Caminha e da índia Bartira, optou pela solução mais radical: A guerrilha; a clandestinidade.
Essa coisa de ser guerrilheiro e clandestino, porém, não é moleza. Explico.
Toda guerrilha que se preza precisa de uma trilha sonora apropriada e da escolha correta dos métodos anticoncepcionais [o grande dilema do guerrilheiro é entre a castidade em nome da causa e a suruba em nome da suruba]. O PMDB, ao cair na clandestinidade, sabe que o violão e a e a pílula anticoncepcional - mais do que a metralhadora - são imprescindíveis em qualquer movimento revolucionário. Estabeleceu-se, então, forte e ríspido debate interno entre as dezenas de grupos surgidos após o mergulho na clandestindade a respeito das tendências contraceptivas.
O único que pareceu discordar da importância da pílula foi o líder da facção Campo Majoritário das Alagoas, o companheiro Renan Calheiros. O grupo de Renan acabou, porém, sendo derrotado nesse aspecto pela Vanguarda Revolucionária da Praia do Calhau [do companheiro Sarney] ; pela Ala Vermelha Pernambucana [do companheiro Jarbas] ; pela Frente Baiana de Libertação Nacional [do companheiro Geddel] ; e pela Dissidência de Niterói [do companheiro Moreira Franco]. Os grupos Ulysses Presidente [do companheiro Simon] , Articulação de Centro [do companheiro Michel Temer] e MR-W3 [do companheiro Roriz] , preferiram votar uma moção em separado concordando com os dois lados do momentoso tema.
A opção pelo uso de anticoncepcionais causou certo constrangimento ao padre Antonio Maria - cujo maior feito místico e sacerdotal foi realizar o casamento de Ronaldo Fenômeno e Cicarelli no Castelo de Chantilly - que, não obstante, engoliu o sapo e aceitou a função de padre oficial do movimento [ não há, evidentemente, clandestindade sem a participação decisiva de padres no processo. Antônio Maria começou, então, a escrever os diários da guerrilha, pensando em igualar, um dia, a marca de 9.675 livros lançados por Frei Betto sobre o assunto].
Feita a opção pelo uso da pílula, restava a segunda fase do processo de articulação do movimento - a elaboração de um repertório musical de teor francamente revolucionário, baseado na trilogia de poemas lançados pelo imortal e agora clandestino José Sarney - Os Marimbondos de Fogo; Os Marimbondos de Porre e Os Marimbondos de Ressaca - e no vasto cancioneiro de Raimundo Fagner e Antônio Carlos Belchior.
[continua...]


1 Comentários:
No partidão, Elza, a menina. No partidinho, Dilma, a senhora? É ter esperança demais?
abraço!
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