MIL VEZES O NOSSO MUSEU...

O Museu Imperial, em Petrópolis, é - em termos de História - o meu predileto aqui no Brasil. Além das relíquias dos tempos da monarquia - com destaque para o penico de ouro de D. Pedro II e a coroa do primeiro Pedro - é o museu que me permite praticar meu segundo esporte predileto [atrás, evidentemente, do futebol e à frente da porrinha].
Refiro-me, no enigmático final do primeiro parágrafo, ao surf em pantufas, modalidade muito mais radical que o alpinismo, a descida de paredões, o salto mortal, a canoagem em corredeiras, o surf em ondas assassinas e o diabo. Explico.
Nada é mais arriscado que sair deslizando pelas salas que contém relíquias preciosíssimas do Império. Imaginem se o sujeito perde o equilíbrio e se esborracha numa cristaleira que pertenceu à Imperatriz Leopoldina ou quebra a cama da Princesa Isabel. Danou-se. E faliu-se.
O camarada que morre escalando um paredão ou se atirando das Cataratas do Iguaçu causará a tristeza profunda dos amigos e da família e custará aos seus a grana do enterro. Já o caboclo que destrói uma relíquia histórica de duzentos anos está lascado sob todos os aspectos - sobretudo dos pontos de vista criminal e financeiro.
É por isso que afirmo com rutilante certeza: O esporte radical mais perigoso e emocionante do mundo é o surf em pantufas, devidamente praticado em seu templo maior - os salões encerados dessa gloriosa instituição brasileira, o Museu Imperial.
Conheço gente, porém, que não acha o museu petropolitano essas coisas. Tive um professor na faculdade, por exemplo, que em certa aula zombou de minha predileção pelo museu do Império, afirmando preferir o Museu Erótico de São Petesburgo.
A grande atração do tal museu é o pênis embalsamado do tarado russo Grigori Rasputin, o sujeito que foi uma espécie de guia espritual da czarina Alexandra e passou a régua em quase toda a corte russa e adjacências.
Os visitantes da importante instituição - que tanta comoção causou ao meu professor - podem comprovar que Rasputin possuia um cacete de aterrorizantes 30 centímetros. E sobre ele mais não digo, e nem quero saber.
Napoleão Bonaparte também teve o pênis extirpado logo após a morte, em 1821, na Ilha de Santa Helena. O pinto do corso foi provavelmente extraído pelo médico que fez a autópsia no corpo, o Dr. Francesco Antommarchi.
Depois de permanecer décadas embalsamado na Acadêmia de Medicina de Santa Helena, o bilau de Napoleão foi leiloado pela Christie´s em 1977. O felizardo que arrematou o troço foi um urologista norte-americano que pagou US$ 3.800 pela relíquia - hoje exposta em um museu de curiosidades históricas em Nova York.
Atenção para o detalhe - o orgão de Napoleão [o maior dos generais, o imperador dos franceses, o estrategista militar] mede precisamente 2,54 centímetros - todavia suficientes para apressar a fuga de D. João VI rumo ao Brasil. Vou repetir para não acharem que digitei errado : 2,54 centímetros.
Caso fosse [nunca irei!] aos museus que apresentam em seus acervos os falos de Rasputin e Napoleão, não andaria de pantufas em nenhuma hipótese, e acho que não preciso explicar os motivos. Um acidente poderia ter consequências desastrosas para minha reputação.
Sou mil vezes mais simpático ao troninho de D. Pedro II e ao nosso valoroso museu Imperial.
Abraços.
Marcadores: Brasil Império, museu imperial

6 Comentários:
Só você mesmo, ó Velho, pra me fazer rir em plena quarta-feira!
Verticalmente e bilaumente prejudicado - o imperador está nu.
Como petropolitana da gema,afirmo que o Museu Imperial está com nova administração e começando a sair de um cenário sombrio.Os passeios pelo jardim ainda são revigorantes.
Abraços
Gabi
Ja'li - não me recordo onde - que alguns historiadores defendiam a tese de que o verdadeiro Museu Imperial deveria ser o da Quinta da Boa Vista, que era residencia oficial dos imperadores.
O museu de Petropolis seria somente uma "casa de veraneio".
Tande Biar
grande simas,
que favorzão o amigo acabou de fazer.
estava no trabalho,fumando numa quenga, pra variar, e embarquei nas histórias do brasil.
pqp! só você mesmo pra falar de pantufas & bilaus de museus. me lasquei de rir.
valeu
Quando eu era 'muleque', numa excursão da escola, eu colei um melecão num daqueles vidros trasparentes. Hoje acho a maior sacanagem, mas na época me diverti com aquilo.
Levi.
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