08/05/2009

COLO-COLO, ORGULHO DE SÃO JORGE DOS ILHÉUS


Em 1948 o Brasil vivia a expectativa de sediar a Copa do Mundo de futebol de 1950. O presidente era o Marechal Eurico Gaspar Dutra, mas havia boatos de que Getúlio Vargas estava se preparando para voltar ao cenário político de forma espetacular.

Aquele ano de 1948, na opinião deste escriba, foi mundialmente marcado por três eventos da maior importância : A morte, na Índia, do líder pacifista Mahatma Gandhi [que como todo líder pacifista que se preze morreu de forma violenta, assassinado por um fanático] ; a aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Assembléia Geral da ONU; e a fundação, em São Jorge dos Ilhéus, na Bahia, do Colo-Colo de Futebol e Regatas, o popular Tigrão.

Como a Índia virou tema exótico de novela da Globo e a Declaração dos Direitos Humanos é mais desrespeitada que o meu fígado quando tomo uns quentes e umas geladas na Confraria do Bode Cheiroso, estou convencido de que o fato mais importante do mundo naquele ano foi mesmo a criação do time de Ilhéus.

O Colo-Colo foi fundado com uma nobre finalidade - disputar a Semana Inglesa, um torneio promovido pelo sindicato dos comerciantes ilheenses que costumava lotar aos sábados o estádio Mario Pessoa, conhecido à época como o colosso da terra do cacau.

O fundador e primeiro presidente do clube, Airton Adami, era fascinado - e sei lá eu a razão - pelo time de futebol chileno do Colo-Colo. Depois de alguns argumentos contrários de outros fundadores, prevaleceu a admiração do presidente e o nome do time recém-criado acabou mesmo sendo uma homenagem ao clube do Chile.

O primeiro uniforme e a escolha das cores do Colo-Colo tem uma origem curiosa. Um dos fundadores do novo clube, José Haroldo Vieira, era fã do futebol argentino. Meio encafifado com a homenagem a um time do Chile, torrou o dinheiro que tinha e o que não tinha numa passagem aérea, resolveu dar um pulinho na Argentina e comprou em Buenos Aires um jogo de uniformes do Boca Juniors para presentear a agremiação. Tudo bem que o nome homenageasse uma equipe chilena, mas o uniforme tinha que ser o do Boca.

A coisa acabou mesmo em pizza [de chocolate feita com cacau do sul da Bahia] : o time é de Ilhéus, tem nome de equipe chilena e joga com as cores do Boca Juniors, o azul e o amarelo.

O Colo-Colo tem uma história gloriosa : Foi o campeão ilheense de 1953; tetracampeão amador da cidade [de 1958 a 1961] ; campeão da segunda divisão profissional da Bahia em 1999; e - conquista das conquistas - campeão baiano da primeira divisão em 2006, quebrando a hegemônia da dupla Bahia e Vitória.

Em mais de cem anos de história do campeonato baiano, aliás, só dois clubes de fora da capital conseguiram triunfar; o Colo-Colo e o Fluminense de Feira de Santana, campeão do certame de 1969.

Terminarei essas mal traçadas com uma confissão, feito declaração de amor do turco Nacib para a mulata Gabriela : Acho o hino do Colo-Colo de Ilhéus um dos mais bonitos do Brasil e coloquei na rede para quem quiser ouvir e baixar. Cliquem aqui e ouçam a Marcha do Tigre, orgulho da terra de São Jorge.

Abraços.

Marcadores: ,

8 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Em 48, outro fato que gerou grande alarde na população carioca foi o gol de bicicleta de Orlando(O pingo de ouro tricolor) na final do Torneio Municipal contra o Vasco(campeão sul-americano deste mesmo ano). O grande confronto ocorreu no estádio de General Severiano.

Um abraço,

Marcos

12:53 PM  
Blogger Luiz Antonio Simas disse...

Grande Marcos, é verdade, mas a criação do Colo-Colo de Ilhéus continua sendo o maior evento do mundo naquele ano. Abraço.

4:24 PM  
Anonymous Mariara disse...

Esse Colo-Colo ganhou o título do Vitória em 2006 e não deixou meu time ser "Octa"!rs
Tô adorando essa sua série de "times pequenos"!rs
Beijo.

4:41 PM  
Anonymous Camilo disse...

Simas, eu não sei qual é a origem/siginificado do nome do Colo-Colo chileno. Mas... ô nominho feio!
Não sei como é a camisa do Colo-Colo baiano, mas a do Boca... é horrível, véio!
Por outro lado, o distintivo do CCFR é bacana.

10:31 PM  
Anonymous Anônimo disse...

Simas, daria para explicar um pouco sobre a tradição do Colo-Colo em Regatas?
Abraço
Coelho

10:22 AM  
Blogger Luiz Antonio Simas disse...

Eis, caro COELHO, o mistério da fé!

3:46 PM  
Blogger Luiz Antonio Simas disse...

CAMILO, Colo-Colo foi um chefe indígena chileno. Abraço.

3:47 PM  
Anonymous Anônimo disse...

Já que você falou em mistério da fé.Foi te contar uma historinha.

Tenho ido à missa todos os domingos, levo minha mulher e meu filho. Ele adora, lê gibis, joga pedras no lago, se assusta com os santos, pergunta por que não pode pegar a nota de R$ 50,00 da cestinha, acha estranho aquele jornalzinho todo conjugado em segunda pessoa e outras coisas normais num moleque de 7 anos.

Acontece que contei para ele sua história do blog sobre o avião ameaçando cair e você rezando "agora É a hora da nossa morte". Pronto, a hora solene da Ave Maria, ponto alto da missa do dia das mães virou uma avacalhação sem tamanho, o menino ri sem parar, fala que vamos morrer e o escambau. Não sei se com isso a missa ficou mais divertida, ou se esculhambou a tal ponto que em breve ele vai me pedir para ir com o Mestre Simas a algum terreiro de Umbanda.

Respeitosamente!
Abraço

Coelho

5:05 PM  

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Início