18/03/2009

PERI DA PITUBA


Meu querido amigo Eduardo Goldenberg escreveu aqui um texto sobre o ótimo lateral Leandro, o Peixe Frito, que está completando meio século de vida.

Sou admirador do Leandro. Demonstrei essa admiração com um comentário no Buteco do Edu que reproduzo abaixo:

Bom jogador. Vale lembrar, entretanto, que tivemos na mesma época, e jogando na lateral direita, Perivaldo, o Peri da Pituba - menos habilidoso que Leandro, é verdade, mas mais agudo nas jogadas de velocidade.

Perivaldo Lúcio Dantas, o Peri da Pituba, começou no Itabuna, passou pelo Bahia e chegou ao Botafogo no início dos anos oitenta. Fortíssimo no apoio, dotado de fôlego impressionante e autor de cruzamentos inusitados, chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira no ano de 1981. Sem preconceito de classe, raça, ou cor, para cada cruzamento certo mandava cinco bolas na geral, com o objetivo filantrópico de divertir os geraldinos - uma gente trabalhadora que merecia, na visão do Peri, ter o prazer de brincar com a bola oficial do jogo de vez em quando.

Com a camisa canarinho, em um jogo contra a Tchecoslovaquia no Morumbi, o da Pituba realizou impressionante malabarismo e salvou um gol certo dos homens. Quem viu, não esquece.

Houve, e amigos não me deixam mentir, acirrada disputa entre Leandro e Perivaldo pela vaga de titular no escrete que jogou a Copa do Mundo de 1982, na Espanha. O Brasil estava dividido entre os dois craques.

Sabe-se lá a razão que levou Telê Santana a não levar Perivaldo ao certame mundial (levou Leandro e um obscuro Edvaldo, lateral do Fluminense que foi esquecido pela história, sobretudo depois do tricolor ter contado em seu elenco com o grande Carlinhos Itaberá) . Uma lástima e uma das maiores injustiças da história do esporte bretão nas nossas terras.

O Peri da Pituba também desfilou seu futebol arrojado no Bangu e no Palmeiras. No verdão, aliás, jogou num das maiores formações da história do clube. Meus camaradas palmeirenses certamente se recordam do esquadrão formado por João Marcos; Perivaldo, Márcio Alcântara, Vágner Bacharel e Carlão ; Rocha, Cléo, Carlos Alberto Borges e Jorginho ; Hélio e Carlos Henrique. Para os senhores sentirem a categoria do Perivaldo, ele foi titular em alguns prélios disputando vaga com um dos grandes laterais da história recente do Palestra - o rápido e habilidoso Ditinho.

(Conheço vários palmeirenses que acham que essa linha de defesa, com Peri da Pituba na lateral, só não foi melhor nos últimos vinte e cinco anos da história do clube que o quarteto de ouro que defendeu a cidadela alvi-verde em 1981 : João Marcos, Benazzi, Deda, Darinta e Jaime Boni.)

Enfim, amigos, essa mal traçadas tem apenas a intenção de homenagear uma legenda injustamente esquecida do futebol brasileiro nos anos oitenta. Se o Edu vem de Leandro ... Perivaldo neles !

Abraços

Marcadores:

7 Comentários:

Anonymous leo boechat disse...

Sempre achei o Perivaldo um bom jogador. Em minhas felizes lembranças de jogos no Maracanã, ressalto uma vez em que, num lance de disputa de bola e troca de gentilezas, o Zico acabou acertando uma cotovelada no Peri e foi expulso (acho que o Peri só levou um amarelo). A torcida do Flamengo realizava vaias estrondosas e gritos de "É elee!!!" quando o Perivaldo pegava na bola, no restante do jogo.

11:17 AM  
Anonymous Anônimo disse...

Meu caro Símias de Rodes, assino embaixo.
Mas ainda acho que o Perivaldo 2, que também envergou a gloriosa alvinegra no início dos anos 90 -- sendo ele gaúcho, mas lembrando bastante fisicamente o baiano primeiro, daí o apelido -- ainda lhes foi superior (o "lhes" aí vai por conta do Leandro).
Abraçso do
Marecha

12:57 PM  
Blogger Szegeri disse...

Já que fomos citados, como humilde representante da nação esmeraldina, teço pequenas, mas necessárias obervações:

1) A formação titular desse Palmeiras de 83: João Marcos; Perivaldo, Luís Pereira, Nenê Santana e Carlão; Rocha, Batista (ou Cléo) e Carlos Alberto Borges; Jorginho, Carlos Alberto Seixas e Carlos Henrique. O time contava aidna com reservas "de luxo" como Enéas, o ponta direita Barbosa e o ponta esquerda Esquerdinha (que veio para substituir Baroninho, mas não vingou). Vagner Bacharel, que veio a se tornar um dos meus grandes ídolos, demorou um pouco a ser titular. Era, realmente, um esquadrão, a despeito das insinuações desta blogue. Treinador: Rubens Francisco Minelli.

2) O lance que mais lembro da passagem do Perivaldo pelo Palmeiras, foi sua expulsão aos 2 minutos do primeiro tempo, pelo folclórico Dulcídio Wanderley Boschilla, num jogo contra o Santos.

3) Darinta foi o pior jogador dos 95 anos de existência do Palestra. Benazzi foi o segundo pior.

4)O primeiro time do Bota que eu me lembro era o que tinha Perivaldo, Rodrigues Neto, Gil (todos jogaram na seleção), Mendonça (que também foi depois para o Verdão, maestro daquele timaço de 86) e o já veterano Paulo César Caju.

1:32 PM  
Blogger Alf disse...

Salve, Simas!

Me lembrei de uma boa do Perivaldo. São Paulo e Palmeiras no Morumbi, início da década de 80 (acho que 83). O São Paulo tinha o extraordinário Zé Sérgio, o melhor ponta esquerda que vi jogar. Como você disse, o Perivaldo era um bom apoiador, mas não era grande coisa na marcação. Para evitar que o Zé Sérgio entortasse o Peri, o técnico - infelizmente não me lembro quem era - fez uma exaustiva preleção com o lateral, que adentrou ao gramado visivelmente tenso. O São Paulo deu a saída e de cara acionou o Zé Sérgio. Quando ele se preparava para partir para cima do Peri,o moço de Itabuna não teve dúvidas, deu no meio do Zé, para "apresentar suas credenciais". Foi uma falta grotesca, que resultou em uma das expulsões mais rápidas da história do futebol pindoramense - com menos de 30 segundos de jogo.

Abração!

3:49 PM  
Anonymous Guigo disse...

Acredito piamente, que os nossos grandes jogadores e até mesmo outros menos votados, uma vez tendo abandonado a carreira, passam a fazer parte do imaginário coletivo da Nação: são patrimônio perene e eterno do povo brasileiro. Isso vale para Garrincha, Pelé, Vavá, Rivelino, Jairzinho, Zico, Falcão, Leandro e... Perivaldo!!!

5:29 PM  
Blogger Luiz Antonio Simas disse...

BEMOREIRA, eu me lembro disso perfeitamente.

MARECHA, o Perivaldo 2 ganhou a Comenbol, não ?

SZEGERI, obrigadíssimo pelos comentários esclarecedores. Agora, o Darinta era isso tudo mesmo?

ALF, bela história.

GUIGO, concordo com vossa mercê.

8:46 PM  
Blogger Luiz Souza disse...

Sensacional! Sensacional!

Ainda me lembro do dia em que eu e meu pai fomos buscar as camisas que ele havia encomendado. De tecido sinético, escudo de "patch" bordado - aquele que tinha cola atrás -, gola em V e números costurados nas costas. Alto luxo para a época. A minha era a 7; a do meu irmão, bem maior, era a 10. Fomos ao Palestra estreá-las numa quarta à noite e os deuses do futebol foram bem generosos conosco: Palmeiras 2 a 0 na Ponte, se não me engano. Um do Mendonça (o dez); outro do lépido Barbosa (o sete), contratado junto ao glorioso Primavera de Indaiatuba, numa incrível arrancada. Fim de jogo e a italianada toda cumprimentando os dois pés-quentes. Era divertido incentivar feras como o truculento Diogo, Ditinho, Maxwell, Reinaldo Xavier, Reinaldo - que chegou sem os joelhos e foi embora sem marcar - Célio, etc. Era sempre uma ou duas ilhas como Mendonça ou Jorginho cercadas por um mar de pernetas.

Armero, nosso lateral de hoje, honra - com muito mais classe - a dinastia dos grandes velocistas do Palestra: Peri, Barbosa, Ditinho, Ditinho Souza, Euller... Como corre esse colombiano!

10:41 AM  

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Início