SAUDADES DA BEMOREIRA E MAIS UMA MARCHINHA DA MINHA VIDA
(Texto carnavalesco originalmente publicado em fevereiro de 2007)
O Rodrigo Ferrari e eu, quase quarentões, envelhecidos em barril de carvalho, almoçamos hoje ao lado do casal Prata, Tiago e Luísa, no Chefe Santos. Houve ali, entre afagos e chopes, um fraterno conflito de gerações. Eu e Digão estávamos relembrando coisas fundamentais nas nossas vidas e, num certo momento, discutimos longamente a respeito dos nomes das lojas Bemoreira-Ducal e Khalil M. Gebara, cujas origens o grande Ferrari domina. Tentamos contactar o Edu Goldenberg, que encontrava-se labutando para garantir a cachacinha do Pepperoni, dispostos a ouvir a opinião do nosso cambono sobre o assunto.
O tema momentoso foi solenemente ignorado pelos Prata. No esplendor dos dezenove anos, o Prata parecia nos ouvir falar da Bemoreira como se estivessemos falando da chegada da família real ao Brasil. Kalil M. Gebara, pra ele, é o nome de algum personagem envolvido no conflito no Iraque. Nos ignorou rotundamente.
Eis que , em um certo momento, viro-me com convicção e afirmo para o Digão, que prontamente concorda :
- O Leo Boechat ainda se veste na Bemoreira- Ducal !
É isso. O Boechat é o homem que pode esclarecer nossa dúvidas. Espantosamente calvo, o Leo, um gentleman, diga-se de passagem, ainda preserva, sabe-se lá como, um guarda-roupas formado na Bemoreira, na São João Batista Modas e na fundamental Imperatriz das Sedas.
Aliás, o próprio Boechat confessou que, quando criança, três eram seus programas prediletos - ir ao parque Xangai, assistir a chegada do Papai Noel no Maracanã e acompanhar a mãe em compras na Imperatriz das Sedas.
Pensando nisso, e fragorosamente estimulados pelo clima pré-carnavalesco que domina nossa mui heróica e leal cidade de São Sebastião, Digão e eu relembramos, e aí o Prata se interessou - já que é pesquisador desde os onze anos - , da imortal Nós, os carecas , a marchinha que o Arlindo Marques Jr. e o Roberto Roberti fizeram em homenagem aos pouca-telhas, como o Boechat e o Chefe Santos:
Nós, nós os carecas
Com as mulheres somos maiorais
Pois na hora do aperto
É dos carecas que elas gostam mais.
Não precisa ter vergonha
Pode tirar o seu chapéu
Pra que cabelo
Pra que seu Queirós
Se hoje a coisa está pra nós.
Feita a homenagem aos dois carecas que conhecemos, voltamos para a Folha Seca, ainda sob fortíssimo impacto das lembranças do mundo da moda. Nostálgicos, meio deslocados da realidade, com um certo cheiro de kichute nas narinas, Digão e eu fomos, porém, magnificamente surpreendidos pelo Prata, que aparentemente ignorara nossas vitais recordações durante o almoço. Na hora de se despedir, vira-se o garoto e pergunta, com a maior seriedade:
- Só pra me prevenir pro inverno, onde fica a Bemoreira-Ducal?
Digão e eu, com lágrimas nos olhos, respondemos quase ao mesmo tempo:
- No coração, moleque. No coração.
É isso que dá viver nas esquinas do tempo.
O tema momentoso foi solenemente ignorado pelos Prata. No esplendor dos dezenove anos, o Prata parecia nos ouvir falar da Bemoreira como se estivessemos falando da chegada da família real ao Brasil. Kalil M. Gebara, pra ele, é o nome de algum personagem envolvido no conflito no Iraque. Nos ignorou rotundamente.
Eis que , em um certo momento, viro-me com convicção e afirmo para o Digão, que prontamente concorda :
- O Leo Boechat ainda se veste na Bemoreira- Ducal !
É isso. O Boechat é o homem que pode esclarecer nossa dúvidas. Espantosamente calvo, o Leo, um gentleman, diga-se de passagem, ainda preserva, sabe-se lá como, um guarda-roupas formado na Bemoreira, na São João Batista Modas e na fundamental Imperatriz das Sedas.
Aliás, o próprio Boechat confessou que, quando criança, três eram seus programas prediletos - ir ao parque Xangai, assistir a chegada do Papai Noel no Maracanã e acompanhar a mãe em compras na Imperatriz das Sedas.
Pensando nisso, e fragorosamente estimulados pelo clima pré-carnavalesco que domina nossa mui heróica e leal cidade de São Sebastião, Digão e eu relembramos, e aí o Prata se interessou - já que é pesquisador desde os onze anos - , da imortal Nós, os carecas , a marchinha que o Arlindo Marques Jr. e o Roberto Roberti fizeram em homenagem aos pouca-telhas, como o Boechat e o Chefe Santos:
Nós, nós os carecas
Com as mulheres somos maiorais
Pois na hora do aperto
É dos carecas que elas gostam mais.
Não precisa ter vergonha
Pode tirar o seu chapéu
Pra que cabelo
Pra que seu Queirós
Se hoje a coisa está pra nós.
Feita a homenagem aos dois carecas que conhecemos, voltamos para a Folha Seca, ainda sob fortíssimo impacto das lembranças do mundo da moda. Nostálgicos, meio deslocados da realidade, com um certo cheiro de kichute nas narinas, Digão e eu fomos, porém, magnificamente surpreendidos pelo Prata, que aparentemente ignorara nossas vitais recordações durante o almoço. Na hora de se despedir, vira-se o garoto e pergunta, com a maior seriedade:
- Só pra me prevenir pro inverno, onde fica a Bemoreira-Ducal?
Digão e eu, com lágrimas nos olhos, respondemos quase ao mesmo tempo:
- No coração, moleque. No coração.
É isso que dá viver nas esquinas do tempo.
Evoé!

5 Comentários:
Velhos tempos de Bemoreira-Ducal. Às vezes ainda compro algumas camisetas na loja Meirinho na Pça Saenz Peña. Ainda resistem alguns comércios com mais de meio século por aí.
Essa reciclagem de textos depõe contra o Histórias do Brasil. Ainda por cima fica a impressão de que em 2007 o senhor já não era COMPLETAMENTE calvo.
FELIPINHO, serás meu consultor. Procuro isso e é difíclo encontrar.
BOECHAT, eu raspo a cabeça, apenas.
Abraços
Simas, preciso usar um lugar comum nesse espaço: sua página é simplesmente o máximo! Não há qualquer outro adjetivo mais pertinente.
ET: ai que saudades do teu samba para o Salgueiro, o que teria sido o Salgueiro com ele?!?
Forte Abraço
ANDREIA, muito obrigado pelos elogios, ao blog e ao samba.
Abração.
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