29/10/2008

UM CANTO DE XANGÔ

Amigos, vejam a belezura que é essa gravação do grupo A Barca entoando "Faraê" , um canto litúrgico em louvor a Xangô entoado nos ritos do Tambor de Mina do Maranhão. A filmagem foi feita em uma praça de Porto Real do Colégio, nas Alagoas. A Barca é, com o tratamento absolutamente original que dá as músicas do povo brasileiro, na opinião deste escriba , o grupo com o trabalho mais bonito, consistente e importante do Brasil atual. Procurem seus cds e dvds. São todos fundamentais. A gravação, com o povo simples do Brasil na praça, é comovente.

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O TÉCNICO E O PRESIDENTE

Contei em outra ocasião que, no início dos anos 90, apostei com uma amiga argentina sobre quem teria o presidente da República mais absurdo; ela com Carlos Menem , o Kid Costeleta , ou eu com Fernando Collor de Melo. Parada duríssima.

Achei que venceria em algumas ocasiões, sobretudo quando Collor subiu a rampa do Planalto acompanhado por duplas sertanejas e a bandeira nacional foi hasteada ao som de Pense em Mim, o clássico de Leandro e Leonardo. Apostei também numa vitória categórica quando Collor fez uma daquelas corridas matinais pelas ruas de Brasília acompanhado por uns trinta índios a caráter, com direito a cocar, tanga e sandálias havaianas. Menem, porém, era insuperável.

Minha amiga portenha ganhou a aposta no dia em que o presidente argentino apareceu em um programa de auditório e participou de uma brincadeira que incluia rodar em um bambolê, subir escadas, descer por um escorrega, cair dentro de um tanque de piche, rolar numa cama de penas de galinha e participar, feito uma d´angola, com o grupo Los Tremendos de uma coreografia da imortal dança do passarinho. Ela ganhou e eu paguei um almoço num rodízio de massas no centro da cidade, o Vulcão das Massas, que nem sei se continua de pé.

Lembrei-me dessa disputa Collor versus Menem por conta da impactante notícia de que el pibe Diego Armando Maradona é o novo técnico da seleção de futebol argentina. Quando achei que a CBF jamais seria superada com a maluquice de entregar o escrete ao Dunga, os argentinos saem com essa e ultrapassam todos os limites do bom senso. Definitivamente, camaradas, na arte da lambança los hermanos - quando querem - são insuperáveis.

Abraços.

23/10/2008

PARABÉNS AO REI


Hoje é aniversário de um gênio da raça. Longa vida ao Rei !

22/10/2008

O GURUFIM DO POETA

Há que se beber o poeta morto. Foi partindo desse princípio que eu e Pratinha tomamos a decisão de comparecer ao velório de Luiz Carlos da Vila. A quadra da Unidos de Vila Isabel ainda estava vazia quando chegamos. O corpo do homem tava lá, com as devidas homenagens e bandeiras (Vila, Cacique, Botafogo, Império Serrano e outras menos votadas). Fizemos as reverências habituais e fomos tomar umas geladas num boteco perto da quadra.
Aos poucos o boteco, uma mistura de pé sujo com adega que vende cerveja geladíssima e os vinhos mais vagabundos do planeta, começou a ficar cheio pacas. Logo, logo eu e Prata encontramos o Álvaro Costa e Silva, o Marechal, fã incondicional do poeta. Relembramos, entre goles e bolinhos de bacalhau, a noite em que Marechal e eu tomamos um porre ao lado do Luiz Carlos no Democráticos, na Lapa. A história é ótima e um dia prometo contar. Basta por enquanto dizer que quase paramos na delegacia, já que meu amigo não admitiu que cobrassem a conta do grande Luiz Carlos da Vila .
Voltamos à quadra, já meio tocados, e o gurufim tinha começado. O samba comia solto; todos cantavam Solano, poeta negro , obra-prima que Luiz Carlos fez com Nei Lopes e Zé Luiz para o Quilombo do mestre Candeia. Martinho, Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Cláudio Jorge, Dorina, Nelson Sargento, Arlindo Cruz e mais uma cacetada de gente prestava reverência ao sambista maior. E tome cana.
A partir de uma certo momento não lembro direito de picas. As cervejas foram descendo, os bares da Vila se entupiram de gente do samba e os taxistas do ponto da quadra colocavam as músicas do mestre em seus rádios. Cheguei perto corpo do poeta e agradeci. Por tudo e por um detalhe especial. Cantei baixinho Princípio do Infinito. Ele, o poeta, sabe a razão; ela, a mulher amada, também.
E de mais não lembro não, que gurufim dos bons é desse jeito.
Abraços.

20/10/2008

LUIZ CARLOS DA VILA (1949-2008)

" A chama não se apagou e nem se apagará..."

10/10/2008

CARTA ABERTA AO POVO DO SALGUEIRO

Amigos, o colunista Fábio Fabato, do sítio carnavalesco Galeria do Samba , escreveu um generoso artigo sobre o samba que fizemos para o Salgueiro em 2009. Não conheço o Fábato, mas agradeço profundamente o apoio, em meu nome e dos parceiros. É esse tipo de coisa que faz valer a pena embarcar na aventura de concorrer com um samba enredo numa escola do grupo especial. É só clicar no link para ler o texto.

06/10/2008

SANTINHA DUTRA


Esse negócio de campanha eleitoral é um caso sério. Mencionei outro dia um fato que considero absolutamente extraordinário na história eleitoral brasileira: o Marechal Dutra levantou, na campanha de 1945, um anão num comício em Recife, achando que o prejudicado vertical era uma criança. Testemunhas relatam que o anão, em absoluto pânico, gritava balançando as perninhas:

- Me bota no chão Marechal ! Me bota no chão !

Antes de receber um bico um nos cornos, Dutra percebeu a gafe e depositou o anãozinho em segurança no bravo solo pernambucano. A cena foi percebida por uma pequena multidão. Apesar de tudo o Marechal foi eleito com impressionantes 55,3 % dos votos válidos, derrotando o ínclito Brigadeiro Eduardo Gomes (apud Wilson Leite Passos ) .

(O Brigadeiro, aliás, fez uma campanha absolutamente equivocada. Adotou como lema o "vote no Brigadeiro, ele é bonito e é solteiro". Achou que estaria com isso atraíndo o voto feminino. Perdeu foi o voto de muito macho e se danou. Legou ao Brasil, pelo menos, o nome do doce de chocolate com granulado.)

Figura fundamental do governo Dutra foi a primeira dama, dona Carmela Dutra, mais conhecida pelo apelido de Santinha. Era dela que eu queria falar desde o início desse arrazoado. Dutra e Santinha se conheceram num jantar na casa do avô de Fernando Henrique Cardoso. Muito religiosa, Santinha resistiu enquanto pode ao assédio de Eurico. Era viúva, tinha uma filha, e não achava justo com a memória do falecido contrair novo matrimônio. Acabou cedendo e, dizem, mandou no marido com inquestionável autoridade.

Há quem jure que Santinha convenceu Dutra a decretar a proibição do jogo no Brasil, com o argumento de que os cassinos eram valhacoutos que destruiam a tradicional família brasileira. O texto do decreto era um primor de moralismo:

"Considerando que a tradição moral, jurídica e religiosa do povo brasileiro, é contrária à exploração dos jogos de azar, fica decretado o fechamento dos cassinos em todo o território nacional".

Essa idéia de Santinha, aliás, arruinou parte da minha família. Meu bisavô materno, o italiano Salvatore Grosso, chegou ao Brasil como imigrante, contraiu um empréstimo maluco e aplicou tudo na criação de uma pequena empresa de venda de materiais para cassinos. Os senhores podem imaginar o que o decreto de Dutra gerou.

Santinha também é uma espécie de padroeira do nepotismo no Brasil. Obrigou o marido a nomear trinta e oito parentes, entre irmãos, tios, primos, cunhados e o escambau, para cargos no segundo escalão da administração federal . Foi, porém, uma mulher honesta. Exemplifico.

Quando Dutra se candidatou ao governo, recebeu inúmeras contribuições de amigos militares, comerciantes, fazendeiros e empresários , para arcar com os custos da campanha. Como sobrou dinheiro pácas, Santinha resolveu devolver a grana para os correligionários. Ninguém aceitou o dinheiro de volta. Envergonhada de ficar com uma bolada que não era dela, Santinha gastou tudo na construção da Capela Santa Terezinha, erguida no Palácio Guanabara. Foi, segundo palavras da própria, um presente do casal Dutra a todo povo brasileiro. A capelinha, simpaticíssima, está lá , firme e forte, até hoje.

Nos tempos atuais as sobras de campanha tem finalidades um pouco diferentes, não?

Abraços.


03/10/2008

CURTINHAS SOBRE O PLEITO DE DOMINGO

(Fernando Gabeira no mar de Ipanema)

O primeiro turno das eleições municipais se aproxima. Tomado de grande perplexidade, confesso que não consigo mais distinguir, observando o horário eleitoral, a diferença física entre Fernando Gabeira e Caetano Veloso. Não sei quem é quem. Juro.

Por falar em Gabeira, acho que a intenção do candidato é perder a eleição. Colocar aquele pessoal decadente do pop-rock brasileiro cantando a música da campanha ( um horror, aliás ) só reafirma o discurso dos que acusam Gabeira de ser um candidato restrito aos limites da zona sul. Terminar com Caetano Veloso ( ou o próprio Gabeira, já que não sei mesmo diferenciá-los) cantando Amanhã, do falecido Guilherme Arantes , é piada. O único Amanhã que presta é mesmo o samba da União da Ilha, cantado, evidentemente, pelo grande Aroldo Melodia.

A entrevista imaginária de Alessandro Molon falando da família e dos exemplos de solidariedade e honestidade que recebeu do pai e da mãe, além de anunciar que completará 13 anos de casado no dia 5 de outubro, é o momento mais constrangedor da história das campanhas eleitorais brasileiras. Superou o marechal Dutra levantando um anão ( confundiu o prejudicado vertical com uma criança) em um comício às vésperas do pleito de 1945.

Jandira Feghali uma vez gritou comigo de forma absolutamente destemperada durante uma boca de urna em Laranjeiras porque eu não peguei um panfleto que a candidata ofereceu ; e não peguei pelo simples motivo de que já tinha votado. Desde então tenho medo dela e, tanto tempo depois, continuo achando que posso ser agredido pela dona. Nunca me recuperei do impacto daqueles gritos vindos do alto. Não tecerei comentários, portanto, sobre o desempenho eleitoral da gata da Albânia.

Minha ex-aluna Clarissa Garotinho é candidata. Cada aparição da moça na tv me dá uma vontade danada de largar a profissão e, em penitência, subir a Penha de joelhos. Os amigos mais chegados estão tentando me convencer de que não tenho culpa nenhuma no cartório. Melhor assim.

A coisa piorou. O porteiro do meu prédio, torcedor do venerável Santa Cruz do Recife, acaba de me dizer que acha que o Gabeira imita o Ronaldo Esper.

Abraços.