31/07/2008

FORTES, O HUMORISTA DA PELOTA.

Foi durante um Vasco e Fluminense, em São Januário, no final da década de 1920, que ocorreu um dos lances mais geniais protagonizado pelo lendário beque tricolor Fortes. Peço aos senhores que imaginem a cena, rigorosamente impensável nesse futebol mercantilizado que temos nos dias de hoje.
O jogo come solto quando o vascaíno Mola levanta a redonda na área do Fluminense. Fortes não consegue cortar o cruzamento e a bola sobra limpinha para o implacável Russinho, artilheiro cruzmaltino. No que Russinho se prepara para chutar, Fortes, um sujeito grande pácas, abre os braços, abraça o adversário e começa a beijar o vascaíno.
Furioso, Russinho tenta se desvencilhar de Fortes, que continua abraçando e beijando o jogador. Os torcedores do Vasco começam a se escangalhar de rir e aplaudir a cena, desconsiderando que a equipe tinha acabado de perder um gol certo. Não faltou nem o grito de casaca, casaca, casaca - saca - saca ... O árbitro, pressionado por Russinho, não marcou pênalti, considerando que abraçar e beijar um jogador não era agressão. Durante o resto do jogo bastava Russinho pegar na bola que Fortes abraçava e beijava o craque da Colina, para delírio dos torcedores. No final do prélio, Fortes saiu de campo aplaudidíssimo pela platéia adversária.
O mesmo Fortes tinha, no início da carreira, armado um fuzuê dos bons em um Fla-Flu em 1919. Um flamenguista mais abastado tinha prometido dar uma motocicleta de presente ao avante Carregal, caso o Fla ganhasse o match. Para que. Bastava Carregal pegar a pelota que Fortes saia correndo atrás do flamenguista fazendo pu-pu-pu-pu e imitando um sujeito andando de motoca. Perseguido por Fortes daquela maneira, Carregal não se aguentava e largava a bola para cair na gargalhada. Fortes passou o jogo fingindo que segurava um guidom de uma moto. Nem se preocupava mais em tentar roubar a pelota do adversário. Era a bola ir na direção de Carregal que Fortes saia que nem um doido andando na moto imaginária por todo o gramado e fazendo o pu-pu-pu. No fim das contas, com uma atuação apagadíssima de Carregal, o pó de arroz enfiou 4 X 0 no Mengo.
Bons tempos aqueles, em que havia espaço para o senso de humor nos gramados.
Abraços.
(Para conhecer mais histórias do impagável Fortes, indico o clássico O Negro no futebol brasileiro e a crônica Os Humoristas do Futebol, do grande Mário Filho.)

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23/07/2008

GÊNISIS E APOCALIPCE NO SAMBA. É O TIGRE NA SAPUCAÍ !


Estou impressionadíssimo. O imperiano maiúsculo Carlos Andreazza, no http://www.tribumeiros.com/ , apresenta ao mundo a sinopse do desvairado enredo da Porto da Pedra, do bigodudo Max Lopes, para o carnaval de 2009. Atenção para o título: " Não me proibam criar. Pois preciso curiar ! Sou o país do futuro e tenho muito a inventar. "

Conheçam a sinopse completa, escrita em algum idioma levemente parecido com o português, no http://www.sidneyrezende.com/noticia/15289 (é só clicar no link).

Destaques absolutos para a abertura - Gênises : O Deleitante Paraíso - e para o sexto setor - O ApocalipCe !

Desde já se anuncia um momento imperdível na história do carnaval carioca. A sinopse (leiam! leiam!) fala de Adão e Eva, homéricas catástrofes, Pandora, Império Romano, Santo Tomás de Aquino, Deus, Santos Dumont, surtos epidêmicos, Thomas Edison (citado no texto entregue aos compositores como "the wizard of Menlo Park") , Einstein, Marconi, Padre Landell de Moura, E.T. o extra-terrestre, Juscelino Kubitschek e Brasília. Destaco um trecho da sinopse do desde já aguardado pelos foliões sétimo setor da escola. Imaginem os bravos compositores da agremiação colocando essa maravilha vigorosamente carnavalesca num samba enredo:

" Einstein concluiu que sobre os fenômenos gravitacionais, que não existe embaixo nem em cima do universo, no sentido que os objetos caiam por serem puxados para baixo em um centro de gravitação. O movimento de um corpo se deve unicamente à tendência da matéria para seguir o caminho da menor resistência. E prova, por meio de uma série de formas matemáticas,, a curvatura do espaço, cujo ponto principal da teoria é: a distância mais curta entre dois pontos não é uma linha reta, mas uma linha curva, pois que o universo consiste numa série de colinas curvas, e todos os corpos do universo caminham em redor das ladeiras curvas dessas colinas."

Isso vai dar um refrão fabuloso. Evoé, Momo !


18/07/2008

MÁRIO VIANNA, O TÉCNICO INOVADOR

Nos comentários ao meu texto sobre Mário Vianna, com dois ennes, o mano velho Eduardo Goldenberg lembrou que há muito mais sobre o figuraça do apito brasileiro. Há mesmo. Pouca gente sabe, por exemplo, que Mário Vianna foi técnico de futebol. A culpa - o termo é esse - é da Sociedade Esportiva Palmeiras.
Em 1957, numa atitude intempestiva, Mário Vianna, que foi, é preciso ressaltar, um grande árbitro, abandonou o apito. Mais intempestiva ainda foi a decisão da diretoria do Palmeiras, que o contratou para treinar a equipe. O Verdão andava numa fase meio braba e alguém sugeriu que um técnico motivador, homem de brios, poderia animar o time.
Mário Vianna treinou o Palmeiras em 14 jogos; perdeu oito e protagonizou cenas inacreditáveis em todos eles. Logo que chegou ao Palestra, inventou uma forma nova de escalar a equipe. Na preleção do primeiro match, reuniu todo o elenco no vestiário, disse que só queria contar com elementos de valor, que demonstrassem o pendor cívico para a luta e dessem a vida em campo. Dito isso, falou que escalaria o goleiro, daria uma camisa a Mazolla, outra a Formiga e jogaria as outras para o alto. Quem pegasse, começaria jogando. Não era metáfora. Mário Vianna jogou as camisas pra cima, os jogadores se engalfinharam e o técnico de fato priorizou os que tinham conseguido pegar a camisa na marra.
Em outro jogo, no derby de 1957 contra o Corinthians, o juiz austríaco Eric Steiner fez uma arbitragem polêmica. Expulsou logo no início o palestrino Mucio. O Palmeiras segurou o empate até o finalzinho, mas aos 42 do segundo tempo, na bacia das almas, o Corinthians fez um gol - em impedimento escandaloso, segundo a imprensa - e liquidou a fatura. Era tiro e queda que Mário Vianna fosse agredir o árbitro. Não foi.
De forma teatral, Vianna - que era espírita e se dizia vidente - ajoelhou-se no gramado, próximo ao vestiário do Corinthians, e gritou com sua voz retumbante, de personagem dos Dez Mandamentos :
- Deus há de permitir que esse time sujo fique no mínimo vinte anos sem ser campeão. Deus há de nos vingar! Deus há de nos vingar!
E começou a socar o gramado e repetir a praga. Guardou, sabe-se lá por que, um tufo de grama e entrou, com a calma de um Gandhi na marcha do sal, no vestiário palmeirense. A polícia, que se preparava para defender sua senhoria de um possível ataque marcial de Mário Vianna, não precisou fazer bulhufas.
O Corinthians, que não era campeão desde 1954, só conseguiu faturar um novo caneco em 1977.
Volto a falar de Mário Vianna, figura maiúscula do futebol brasileiro, em outras postagens.
Abraços.

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17/07/2008

MÁRIO VIANNA


Uma vez perguntaram ao zagueiro Domingos da Guia quem teria sido o homem mais valente que o Divino Mestre conheceu nos gramados. O grande Da Guia nem relutou para responder: - Mário Vianna, o único juiz que me expulsou em onze anos de carreira.

A história de Mário Gonçalves Vianna é impressionante. Foi baleiro, engraxate, fiscal da guarda civil, empacotador de velas, coveiro, polícia especial no Estado Novo, técnico de futebol, árbitro e comentarista de arbitragem . Adquiriu, nos tempos da polícia, um preparo físico de gladiador romano. Convencido por um amigo que o viu apitando uma pelada, fez o curso para árbitro da Liga Metropolitana do Rio de Janeiro - foi o primeiro da turma - e se transformou numa legenda da arbitragem brasileira.

Logo no primeiro jogo que apitou, entre Girão de Niterói e São Cristovão, expulsou Mato Grosso, zagueiro do São Cri Cri e tremendo carniceiro, e ameaçou tirar o valentão de campo na base da porrada. O São Cristovão, diga-se de passagem, era o clube de coração de Mário Vianna. Foi a partir daí que a fama de juiz valente, incorruptível e rigorosíssimo começou a surgir.

Houve um Flamengo e Botafogo, em General Severiano, em que Mário Vianna começou a expulsar jogadores do urubu. Na terceira expulsão, justíssima, a torcida rubro-negra, furiosa, passou a lançar garrafas e pedras em direção ao juiz. Sua senhoria nem discutiu; jogou as garrafas de volta às arquibancadas, pulou o alambrado e se atracou com os torcedores. A rádio patrulha salvou a pele da torcida, invadindo a arquibancada para conter um tresloucado Mário Vianna, que distribuia golpes de artes marciais.

Em outra ocasião, mais precisamente no jogo Itália e Suiça pela copa do mundo de 1954, o jogador italiano Boniperti contestou uma marcação de falta e empurrou sua senhoria. O carcamano não sabia com quem estava brincando. Mário Vianna deu um direto no queixo do bonifrate, que foi levado desmaiado para os vestiários. Na mesma copa, aliás, chamou os dirigentes e árbitros da FIFA de "camarilha de ladrões" , após a derrota do Brasil para a Hungria, e foi expulso dos quadros da entidade.

Quando indagado sobre os jogadores que mais trabalho davam em campo, Mário respondia de bate-pronto: Heleno de Freitas e Zizinho. Em certa ocasião, no campo do Vasco, Heleno provocou Mário Vianna ao entrar em campo com um disco de boleros e oferecer ao árbitro. Foi expulso de imediato.

Eu peguei , moleque, o Mário Vianna comentarista de arbitragem da Rádio Globo. Dotado de um vozeirão de dublador do Charles Bronson, Mário criou bordões inesquecíveis. Se o jogador estivesse impedido, gritava de imediato: Banheeeeeeeira. Mão na bola, e lá vinha o brado : La Manooooo...cadê o eco: La Manoooooooo. Gol irregular, e Mário se esguelava: Ilegal!! Ilegal!! Se o juiz cometesse erros crassos, lá vinha a sentença implacável : - Errrrrrrrooouuu. Soprador de apito!! Soprador de apito!! Laaaadrão, canalha, safado!

Em duas ocasiões, quase perdeu o emprego de comentarista. Na primeira disse, com uma incorreção absoluta, que o juiz Abraham Klein além de judeu era ladrão. Na outra criticou os participantes de uma mesa redonda, que fumavam desbragadamente, berrando que a fumaça dos cigarros mataria todos eles. A mesa redonda era patrocinada pela Souza Cruz.

Não se sabe quantas vezes Mário Vianna saiu no braço com técnicos, jogadores e torcedores. Com 1. 74 de altura e 90 quilos, foi nadando três vezes do Rio a Niterói, correu maratonas, imobilizou assaltantes com golpes de judô, quebrou telhas com a cabeça em um programa de televisão, destruiu duas cabines de rádio com socos e pontapés e o escambau. Espírita kardecista, era dado a premonições assustadoras. Avisou ao comentarista Luiz Mendes, durante a copa de 1970 no México, que o irmão de Mendes tinha aparecido durante a noite para avisar que acabara de morrer. Luiz Mendes telefonou para casa e recebeu a notícia de que o irmão de fato tinha falecido durante a madrugada.

Quando escuto - raramente, que eu não sou doido - os comentaristas de arbitragem dos dias atuais - Arnaldo César Coelho, José Roberto Rato, Oscar Roberto de Godoy, Renato Marsiglia e quejandos - sinto uma saudade danada do velho Mário Vianna; polêmico, inventivo, histérico, escroto, incorreto, incontrolável e, sobretudo, original.
Abraços


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16/07/2008

O NOME! O NOME!

Acordamos, os cariocas, com a notícia da tunga de R$ 70 milhões dos cofres públicos na gestão da ex-governadora Rosinha Garotinho. A maracutaia se estruturou a partir do desvio da grana para duas ONGs pilantrópicas - a Alternativa Social e o Projeto Filipenses - que subcontratavam ONGs menores para ações de saúde em comunidades carentes. Neste vai e vem, a dinheirama, evidentemente, desaparecia.
O que me chamou a atenção foi a lista das mini-Ongs envolvidas na sacanagem. Estão incluídas 52 igrejas evangélicas, 47 associações de moradores, uma certa Tenda Espírita Cabocla Jurema (qual? devem existir umas duzentas tendas espíritas com esse nome) e uma ONG que atende pelo nome de Rocinha Futebol Clube. A ONG mãe das maracutaias tem um nome tão imponente que me faz desistir de maiores comentários sobre o furdunço : Igreja Pentecostal Assembléia dos Santos Ministérios Somos Mais que Vencedores. Cáspite!
Admitamos que um nome desses faz o Morte Ala Francia, Itália Anela , a origem mais provável da sigla MAFIA (organização secreta de resistência dos italianos durante a ocupação de Nápoles pela casa francesa de Bourbon, que rapidamente transformou-se em poderosa organização do crime), parecer a denominação de um grêmio recreativo de jardim de infância.
E eu que , em minha santíssima inocência, achava que o nome mais imponente de uma organização criminosa no Rio de Janeiro era Liga Independente das Escolas de Samba.
Abraços.

11/07/2008

CURTINHAS DO VIOLENTO ESPORTE BRETÃO

* Jogadores do Flamengo organizam uma bacanal em Belo Horizonte. A suruba nas alterosas termina com o intrépido avante Marcinho enfiando a porrada em uma dama que não quis transar sem camisinha com o atleta. As mulheres dos envolvidos na sacanagem pedem o divórcio e a crise toma conta da Gávea. Diego Tardelli, com cara de anjo, avisa que de fato esteve na bacanal, mas foi embora indignado quando viu as moças peladas. A mulher de Tardelli, chorosa, não acredita na versão do rapaz.

*O volante botafoguense Diguinho se envolve em pancadaria numa boate carioca. O pega pra capar termina com um jovem assassinado por um policial que fazia a segurança de um amigo playboy do jogador.

* Ronaldo Fenômeno se envolve em confusão com três travestis numa espelunca da Barra da Tijuca, o inacreditável Motel Papillon.

* O craque Cacá, com cara de bom moço e postura de chefe de família exemplar, defende e dá dinheiro ao apóstolo Estevão e a bispa Sônia, donos da igreja Renascer em Cristo, envolvidos em toda sorte de delitos financeiros, como estelionato, envio ilegal de grana ao exterior e outros salamaleques ligados ao arame.

* O zagueiro alvinegro Ferrero enlouquece em campo e desanda a fazer pênaltis no jogo em que o Vitória da Bahia enfia uma tunda categórica no Botafogo. Ao lado de Ferrero, acalmando o tresloucado argentino, está o zagueiro André Luiz, de volta aos gramados depois de ter ido em cana por agressão a um torcedor no jogo Botafogo X Nautico.

* Wanderley Luxemburgo inaugura terno novo e faz luzes no cabelo poucas horas antes do jogo em que o Palmeiras empata no Palestra com o limitadíssimo time do Figueirense.

* Enquanto isso, Galvão Bueno continua apresentando uma mesa redonda noturna em um canal por assinatura. Na última segunda feira, o programa recebeu como convidado ilustre o cantor Daniel, que homenageou os jogadores convocados para a seleção olímpica brasileira com a canção O Menino da Porteira, aquela em que o garoto morre na estrada de Ouro Fino, vítima de um boi sem coração.

Alguém pode me dizer quem é o mocinho dessas histórias ?

RÁPIDA CONSULTA

Queridíssimos, atendo ao pedido de uma aluna, a Isabela, que disse que me acha um sujeito meio grosso e sem estribeiras. A moça pediu para que eu fizesse uma lista pequena de coisas que gosto e outras que detesto. Ao trabalho.
Não gosto de:
- Teatro
- Poesia
-Cinema
-Antropologia
-Filosofia
- Música popular brasileira
- Guaraná Jesus
- Banana frita
- Bife de fígado
- Novela

Gosto de:
- Samba
- Futebol
- Cerveja
- Império Serrano (com paixão) e Salgueiro (com respeito).

08/07/2008

ALABÊS, RUNTÓS E XICARANGOMOS

O Acadêmicos do Salgueiro escolheu como enredo para o carnaval de 2009 o tema tambores. Em virtude desse fato, reproduzo um texto que publiquei sobre tambores e tambozeiros em agosto de 2008. Mantenho os comentários feitos na ocasião.

Brasileiro que me prezo, gosto de tocar tambor. Certa vez estive em um terreiro de Umbanda em Piedade, Zona Norte do Rio, e fiquei tremendamente decepcionado; os pontos eram cantados sem o acompanhamento percussivo. Perguntei ao chefe da casa sobre a ausência dos atabaques. O chefe respondeu que as entidades já estavam num processo evolutivo bastante avançado e não precisavam mais de tambores batendo. Não voltei mais lá, mesmo porque a resposta guardava um tremendo preconceito contra as religiões afro-brasileiras que usam o tambor.

O atabaque, em geral, é feito em madeira e aros de ferro que sustentam o couro. Nos terreiros de candomblé, costumamos chamar os três atabaques utilizados de rum, rumpi e lé. O rum, o maior de todos, possui o registro grave; o rumpi, o do meio, possui o registro médio; o lé, o menorzinho, possui o registro agudo.

O trio de atabaques executa, ao longo do xirê, uma série de toques que devem estar de acordo com os Orixás que vão sendo evocados em cada momento da festa. Para auxiliar os tambores, utiliza-se um agogô ou gã; em algumas casas tocam-se também cabaças e afoxés.

Não é qualquer zé ruela que pode chegar numa roda de santo e meter a mão no couro. Nas casas de culto keto, os tocadores de atabaque tem o título de ogãs alabês; os jejes chamam os tocadores de runtós e os seguidores dos ritos de angola denominam os músicos de xicarangomos. Segundo o mestre Nei Lopes, em sua Enciclopédia da Diáspora Africana, o termo alabê vem de alagbe - o dono da cabaça - ; runtó deriva da língua fongbé, dos vocábulos houn (tambor) e tó (pai) , formando o sentido de pai do tambor; já xicarangomo vem do quicongo nsika (tocador ) + ngoma (tambor) = o tocador de tambor.

Nas tradições jeje e keto, os tambores são tocados com baquetas feitas de pedaços de galhos de goiabeira, chamadas aguidavis. O rumpi e o lé são tocados com dois aguidavis; o rum é tocado com uma única baqueta, maior e mais grossa que as outras. Nos candomblés de angola, os três atabaques são percutidos com as mãos, sem o recurso de baquetas. A tradição é séria e tem que ser respeitada.

Aquele chefe de Umbanda que desprezou os atabaques não sabe que, para os africanos, o atabaque é mais que um instrumento percussivo; é uma entidade poderosa. Os instrumentos musicais que um terreiro utiliza são consagrados após vários procedimentos litúrgicos, conhecidos e realizados apenas por iniciados. O atabaque , desta maneira, é dotado do axé - potência - que lhe dá o poder de ser a voz que vai até o Orum - a morada dos deuses e dos ancestrais - e chama os Orixás, Inquices e Voduns para que eles tomem as cabeças de suas filhas e dancem entre nós.

É sabido no meio do samba que, nos primórdios dos desfiles das escolas, as baterias eram invariavelmente formadas por ogãs de candomblés. Cada bateria tinha, inclusive, uma certa linha de toque que remetia ao Orixá ao qual a escola era consagrada. Hoje, tempo em que as escolas de samba transformaram-se em empresas e até tailandês desfila tocando tamborim, as diferenças entre as baterias quase não são mais percebidas. É pena.

De minha parte, continuo sendo um entusiasta do tambor e dos terreiros de candomblé como as grandes escolas de formação de percussionistas brasileiros. Há um verso do poeta José Carlos Capinam que expressa com tremenda felicidade essa relação do nosso povo com o atabaque:

Há de comer, há de beber e há de tocar tambor...
Não há de comer , não há de beber, mas há de tocar tambor.

Se para evoluir tiver que parar de tocar tambor, meu chefe, prefiro continuar descascando aguidavi, arrebentando a mão no couro e não evoluir nunca.

Meus respeitos ao rum, ao lumpi e ao lé - entidades poderosas - e aos alabês, runtós e xicarangomos que percutem os sons da África no Brasil. Mojubá !

06/07/2008

SAMBA DA OUVIDOR - O BLOG

Amigos, há um novo e imperdível blog na rede. É o Samba da Ouvidor, dos camaradas Gabriel Cavalcante e Ricardo Brigante. É absolutamente imperdível. Para quem não sabe, o Gabriel é a voz monumental e o cavaco dos sambas quinzenais que acontecem na Rua do Ouvidor, em frente à livraria Folha Seca.
No blog, os amigos do samba da Ouvidor disponibilizam gravações raríssimas da história do samba. Gabrielzinho e seus camaradas compraram um aparelho que digitaliza lps - inclusive de 78 rotações - e, com absoluta gentileza e senso de quem está fazendo história, nos oferecem o biscoito fino de suas coleções.
Estava agora mesmo ouvindo os sambas colocados na rede. Querem uma dica? Tudo é ótimo, mas prestem atenção especial na gravação da jóia raríssima "Maria Chica a rezadeira" , velho samba de terreiro do Salgueiro, e na monumental versão do clássico "O Império tocou reunir".
Imperdível.
O endereço do blog é http://www.sambadaouvidor.blogspot.com/ Cliquem no link e aproveitem.
Viva o samba !!

05/07/2008

O FLU PERTINHO DO MUNDIAL E A MORTE DA SACANAGEM ENTRE AS TORCIDAS

(Conforme profetizou Renato Gaúcho, o Fluminense de fato está pertinho, bem pertinho, do Mundial)
A violência e a cultura do politicamente correto estão contaminando o futebol. Digo isso em virtude do não me toques que anda marcando esses dias posteriores ao maracanazzo tricolor. Já escrevi em outro texto que não torci pelo Fluminense - as razões são simplíssimas ; eu não sou Fluminense, não simpatizo com o clube e, no decorrer do jogo, meus sentimentos eram todos a favor da Liga de Quito. Não significa que eu queira o mal aos meus queridos amigos tricolores e nem esteja desprezando seus mais nobres sentimentos. Que diabos é isso?

O problema, evidentemente, não é tricolor. Aconteceu quando o Botafogo protagonizou o chororô da final da taça Guanabara e o Flamengo tomou uma tunda do América do México. Aqui mesmo, nesse blog, sacaneei os flamenguistas. Meus alunos de Niterói montaram um vídeo em que eu apareço como um manequinho chorando após a derrota do Fogão. Faz parte.

O que está me intrigando é esse não me toques que envolve todas as torcidas. Como disse o Beto Mussa em um comentário sobre o texto que escrevi a respeito do waterloo tricolor, sacanear o outro após uma derrota do time virou tripudiar da dor alheia. Não ficar neutro em um jogo em que seu time não está em campo virou querer gozar com o pau dos outros. Como assim? Eu não consigo assistir a um jogo de futebol como se estivesse assistindo ao segundo ato do Barbeiro de Sevilha.

Como um apaixonado pelo jogo, eu torço por alguém ou contra alguém - sem, evidentemente, um décimo da emoção que me envolve quando meu time joga. Torcer por um time que não é o seu, em uma partida que não envolve diretamente seu clube, nunca foi gozar com o cacete alheio. É, no máximo, uma punhetinha agradabilíssima para quem gosta de ver futebol. Quem de fato curte o esporte pára na beira da praia para assistir a uma pelada e, cinco minutos depois, sem fazer idéia de que jogo é aquele, está querendo que um dos times ganhe.

Não gosto - e não faço - estardalhaço para zombar dos outros; nem me agrada quando fazem isso comigo. Mas a sacanagem, aquela sacanagem tradicionalíssima do dia seguinte, é outra coisa. É direito inalienável do torcedor. Alguns exemplos, dos bons tempos da antiga, me ocorrem. Lembram do samba do Wilson Batista "E o juiz apitou" ? Transcrevo trechos da letra:

Eu tiro o domingo para descansar
Mas não descansei
Que louco fui eu
Regressei do futebol
Todo queimado de sol
E o Flamengo perdeu
Pro Botafogo
Amanhã vou trabalhar
Meu patrão é vascaíno
E de mim vai gozar(...)

Com um detalhe - o samba descreve uma derrota rubro-negra com um lance dramático no último minuto; Pirilo preparou-se para marcar o gol de empate do Mengo e o juiz acabou com a peleja. Nos dias de hoje, o vascaíno estaria preocupadíssimo com o estado emocional do flamenguista e não faria e nem permitiria qualquer tiração de sarro com o derrotado. Este, por sua vez, cortaria relações ou sairia na porrada com quem lhe sacaneasse. A música brasileira, pelo menos, perderia um tremendo samba.

Como não lembrar também da versão para sacanear os bacalhaus do samba O Bonde São Januário :

O bonde São Januário
Leva o português otário
Pra ver o Vasco apanhar...

O que explica essa mudança? Creio que ela se deve a dois fatos aparentemente distintos. De um lado temos essa cultura da violência que é marca dos dias atuais. Vivemos tempos em que a boçalidade impera. O que era a boa sacanagem virou agressividade e o futebol foi, em larga medida, tomado por esses trânsfugas que assistem ao jogo com ímpetos assassinos e, possuídos por um demônio competitivo, enxergam o adversário como inimigo mortal e não apenas como alguém que torce para uma equipe diferente. Gritam, xingam, agridem e, em última escala, são capazes de matar. São, em suma, o que no meu tempo chamávamos simplesmente de bandidos. Gente má, como diria minha avó. Ouvi, durante o jogo do Flu, gritos a favor da LDU que pareciam sons de maridos descendo o cacete em suas mulheres. Como ouvi os mesmos gritos alucinados - e profundamente agressivos - quando o Mengo foi eliminado pelo gordinho Cabañas.

O outro problema - que afeta em geral os homens de bem - é o politicamente correto. Confunde-se a sacanagem sadia com o tripudiar dos sentimentos alheios; qualquer brincadeira, por mais pacífica que seja, é condenada como um desrespeito ao outro. E esse troço "do outro" - que a antropologia adora - de vez em quando enche o saco.

A sacanagem entre torcedores era, nos meus tempos de moleque, um elemento a mais de integração da coletividade. O vascaíno sacaneava o tricolor, que tripudiava do rubro-negro, que tirava o sarro do botafoguense, que só não sacaneava o vascaíno porque o bacalhau adorava ganhar do fogão. Eventualmente o clima esquentava, as pessoas não se falavam por uns dois dias e ficava por isso mesmo. Nada que umas cervejas geladas não resolvessem. Lembro-me até que argumentávamos que o campeonato carioca era melhor que o brasileiro porque no dia seguinte poderíamos tirar um sarro dos derrotados.

Disse e escrevi aos amigos tricolores que o problema não é o Fluminense tendo torcida contra - quem val mal é o América, que hoje só tem torcida a favor. Aposto que meu mano Felipinho preferiria ver um América antipatizado pelos adversários e disputando títulos do que assistir a essa corrente de solidariedade em torno do mequinha na segundona do estadual.

É com esse espírito, de quem insiste em acreditar que o futebol é apenas um jogo - e por isso é apaixonante, necessário e revela muito sobre quem somos como indivíduos e coletividade - que inauguro a curtíssima temporada de sacanagens sadias aos tricolores. Estes, evidentemente, podem responder tripudiando da ridícula situação do meu time, que nesse ritmo só vai disputar a Libertadores no dia em que a estátua do manequinho começar a fazer cocô.

Abraços.


04/07/2008

SEGURA A MARIMBA !

( Aroldo Melodia - 1930 - 2008 )
Esse negócio de puxador de samba enredo é fogo - cada um tem o de sua predileção. O meu nunca foi o imenso Jamelão da Mangueira, que aliás preferia ser chamado de intérprete - e era mesmo, o velho José Bispo, um intérprete maior da música brasileira. O meu predileto, gênio absoluto da nobre arte de sustentar o canto da escola na avenida, foi oló na quarta-feira. Falo do grande Aroldo Fiorde, que em virtude da afinação irretocável ganhou o apelido de Aroldo Melodia.

O grande puxador da União da Ilha do Governador conseguia como ninguém sustentar o canto e , ao mesmo tempo, comandar a festa do público, com o insuperável grito de guerra "Segura a Marimba" ! A primeira vez em que fui completamente seduzido por um samba enredo - paixão absoluta desde então - foi, menino de nove anos de idade, graças a maneira como Aroldo Melodia levou na avenida o irretocável samba Domingo, do Aurinho da Ilha, obra prima em tom menor que ganhou um colorido especialíssimo na voz do mestre.

Aroldo Melodia foi em silêncio, sem alarde, sepultado no cemitério da Cacuia, na sua Ilha querida. Foi encontrar Didi, Mestrinho e Franco em algum boteco do Orum. Fica registrado aqui o respeito pelo maior de todos, o que uniu o vigor, o canto doce e afinado e o entusiasmo pulsante - em minha modestíssima opinião de admirador absoluto do gênero samba enredo. Ontem, quando entrei em sala para dar a primeira aula do dia, fiz um negócio que os alunos não entenderam. Coloquei o título da matéria no quadro e, antes de dizer bom dia, gritei bem alto a simples homenagem que me coube fazer: Segura a marimba!

03/07/2008

O WATERLOO TRICOLOR


O Rio de Janeiro só fala hoje sobre o match que decidiu a Libertadores da América e terminou com um Waterloo tricolor e o consequente título da Liga Desportiva Universitária. Instado a dar meus pitacos sobre a peleja, faço algumas observações a respeito :

* Não há mesmo qualquer racionalidade em relação a escolhas clubísticas, eminentemente emocionais. Tinha eu uns dez argumentos para preferir que o Flu fosse o vitorioso. Não obstante, torci pela LDU. Tenho grandes amigos tricolores, mas a questão aí não é racional; futebol é outra coisa. Não sacanearei os cabras - pelo menos por enquanto, é claro - mas há sentimentos que envolvem a bola que vão além da opção pura e simples. Mal começou o jogo e eu já me comportava como um adepto da Liga. Me senti uma espécie de personagem de desenho animado, daqueles que tem um anjo soprando numa orelha e um diabinho cochichando na outra. O anjo me dizia: - mas e seus amigos? E o Rio de Janeiro? E o Brasil ? Torce pelo Flu... O satanás respondia: - você não gosta do Fluminense; nunca gostou... você detesta o Renato Gaúcho, um playboy falastrão; o Botafogo vai ser o único grande carioca sem a Libertadores; o Equador nunca ganhou um mísero título continental; o Chico Buarque é Flu, o Cartola era Flu, mas o presidente Figueiredo era tricolor e o Lulu Santos e aquele seu ex-vizinho escroto do 107 também são. Enfim, alguns sentimentos absolutamente mesquinhos misturados a uma antipatia de infância ( não se explica! não se explica!) pelo tricolor me levaram a hablar español ontem.

* A elitização dos estádios - ingressos caros, o fim da geral, a inexistência de setores populares, etc - é preocupante. Quem pretendesse encontrar mais de três pretos no Maracanã teria que procurar em campo. Sou do tempo em que casa cheia era jogo com 150 mil pessoas. Agora, 80 mil pagantes é coisa de outro mundo. Tenho saudades daquelas imagens do Canal 100 que mostravam os geraldinos - invariavelmente banguelas, descabelados, vestidos com as bermudas mais vagabundas e preparados para correr como loucos na hora do gol. O que vi ontem foram imagens de torcedoras patricinhas tendo crises histéricas, vestidas com camisas oficiais do clube (daquelas que custam 200 pratas ) , nas cadeiras azuis que substituiram a geral. O povão, definitivamente, foi expulso dos estádios. Temo que o processo seja irreversível. Chegamos a um tempo em que o verdadeiro torcedor não tem como ir ao jogo e um babaca absoluto como Lulu Santos aparece no Maraca (no Flu e Boca) e dá uma entrevista dizendo que a torcida do Flu é a melhor porque é a mais cheirosa de todas.

* Somados os dois jogos, a Liga foi melhor. Deu um passeio em Quito, quando poderia meter fácil uns quatro gols de diferença no Flu, e ontem, reconhecendo as limitações de sua horrorosa defesa e do arqueiro frangueiro, jogou pra frente - amarrando o jogo na catimba quando necessário.

* Pareceu-me que o Flu pagou o preço de achar que os obstáculos mais díficeis tinham sido superados nos jogos contra o São Paulo e o Boca. Entrou desatento no jogo em Quito e tomou uma tunda no primeiro tempo que custou a copa.

* Pênalti não é loteria. Naquele momento, como diria um velho lobo do mar, os homens se diferenciaram dos meninos. A cobrança de Tiago Neves - que fez uma senhora partida - foi de um ridículo absoluto. Caiu na catimba do goleiro e deu um peteleco no meio do gol que até minha mãe defenderia. Isso é o futebol, isso é a vida (êta frase feita da porra! Mas verdadeira). O fracasso e o sucesso andam juntinhos, um dando rasteira no outro. Quem diria que o ex-goleiro em atividade Ceballos (não agarraria na minha pelada de domingo ) fosse se consagrar.

* Aos amigos tricolores, minha solidariedade de torcedor curtido em tragédias nas quatro linhas. Falo pra vocês o mesmo que os inquisidores diziam sobre os hereges: amamos o pecador, mas odiamos o pecado; amo vocês, mas não consigo, desde moleque, gostar do Flu. Tomem minha torcida - silenciosa, recolhida, no cantinho da minha casa - pela LDU como uma prova da grandeza do Fluminense, clube de tradições e, por isso mesmo, digno de despertar a antipatia dos rivais. Triste vai ser o dia - que oxalá nunca chegará! - em que eu sentir pelo tricolor a mesma simpatia que sinto pelo São Cristovão e pelo América. O Flu é grande.

Abraços.

01/07/2008

INCRÍVEL! FANTÁSTICO! EXTRAORDINÁRIO!


Foi em 1947 que Henrique Foreis Domingues, o Almirante, um gigante do rádio brasileiro e pesquisador fundamental da nossa música, iniciou a série de programas radiofônicos de maior sucesso da história do rádio tupiniquim: Incrível ! Fantástico ! Extraordinário!

Durante onze anos - até, portanto, 1958 - Almirante seduziu, pelas ondas da rádio Tupi, milhões de brasileiros com relatos de casos sobrenaturais enviados por ouvintes do país inteiro, ou, como anunciava o comunicador, de casos verídicos de terror e assombração. Tinha de tudo - operação espiritual, morto cumprindo ameaça , milhar sinistra no jogo do bicho, violino do além, caminhão fantasma, entrevista fúnebre, fenômenos de levitação, agradecimento da noiva morta, urubu aziago e o escambau.

O programa sempre começava com a voz de Almirante anunciando o teor da história macabra. Alguns relatos eram tão assombrosos que causavam crises histéricas em ouvintes mais impressionáveis. Imaginem a cena. A família está reunida em volta do rádio; é a hora do programa do Almirante. Após a vinheta, o comunicador anuncia a síntese da história que será contada. Dou exemplos:

- Alguns espíritos podem aparecer para os vivos sob a forma de animais apavorantes. Mas isso não é regra, e a prova está no relato que segue...

- Alguns médicos continuam a exercer sua profissão...mesmo depois de mortos.

- Terão as aves misteriosas simpatias por certas pessoas, ou serão elas, às vezes, portadoras de mensagens divinas?

- O que você faria de alguém lhe pedisse carona na porta de um cemitério?

- Na capelinha abandonada, todas as velas estavam acesas e uma missa estava sendo rezada...

-Depois de fazer um pedido ao escoteiro, a moça de branco desapareceu, como que diluída no ar...

E toda a família escuta, impressionadíssima, a história aterrorizante que Almirante descreve.

Nos onze anos em que o programa esteve no ar foram registrados três casos de suicídios cometidos por ouvintes após as narrações fantasmagóricas. Crianças não dormiam mais no escuro; estudantes não iam sozinhos aos banheiros dos colégios com medo da morta de vestido branco; taxistas tinham receio de conduzir o passageiro que saltava no cemitério, pulava o muro e sumia entre as sepulturas. Um presidente da República, Café Filho, confessou que tinha medo de escutar o programa do Almirante quando estava sozinho.

A televisão brasileira tentou, inúmeras vezes, criar atrações baseadas em episódios sobrenaturais. Nunca deu certo. Almirante dizia que suas histórias só funcionavam porque o rádio estimulava a imaginação do ouvinte, enquanto a representação televisiva já vinha pronta. Não discuto, já que o homem sabia das coisas.

Quem, como eu, não era nascido na época do programa, pode recorrer ao livro que a editora Francisco Alves lançou com as histórias de maior sucesso (Incrível! Fantástico! Extraordinário! Casos verídicos de terror e assombração) . É diversão garantida, sobretudo para quem conhece a voz cavernosa de Almirante e imagina as entonações que o mestre fazia para relatar os casos mais escabrosos. Só não é conveniente ler antes de dormir.

Abraços.