MANO DÉCIO DA VIOLA
Nascido em 1909, em Santo Amaro da Purificação, Bahia, e registrado em Juiz de Fora (MG), Décio Antônio Carlos, o Mano Décio da Viola, chegou ao Rio de Janeiro com pouco mais de um ano de idade. Foi menino de rua, vendeu doce na feira, dormiu nas calçadas do Centro da cidade, morou no Morro da Mangueira, vendeu jornais no Largo da Carioca, aprendeu a tocar violão e bandolim e, como tantos outros, tornou-se sambista. Vendeu muito samba pra levantar um troco. Começou a compor na Escola de Samba Recreio de Ramos e foi diretor do Prazer da Serrinha, até participar ativamente da fundação do GRES Império Serrano.Em 1949 fez o seu primeiro samba-enredo para a escola imperial, o antológico “Exaltação a Tiradentes”, em parceria com Penteado e Estanislau Silva. A partir daí, o Império desfilou com sambas de Mano Décio em mais de dez carnavais. Foi ele que convenceu Silas de Oliveira, um discretíssimo tocador de surdo do Prazer da Serrinha, a tentar a sorte como compositor. O resto é história. A dupla matou a pau e, de cara, em 1946, saiu uma obra prima do cancioneiro carnavalesco, o seminal “A Paz Universal”. Juntos, e em parceria com Manuel Ferreira, Mano Décio e Silas fizeram aquele que, para muitos, é o maior samba-enredo de todos os tempos, o clássico “Heróis da Liberdade no Brasil”, hino da agremiação verde e branca no carnaval de 1969.
Duas injustiças perseguem a memória de Mano Décio da Viola. A primeira, que talvez se explique pela expressão gigantesca do parceiro, é a de que seria apenas um companheiro menor do mestre Silas de Oliveira. Errado. Mano Décio ganhou uma série de sambas no Império sem a presença de Silas na parceria. “Exaltação ao Brasil Holandês” (com Chocolate e Abílio Martins), “Rio dos Vice-Reis” (com David do Pandeiro e Aidno Sá), “Exaltação à Bárbara Eliodora” (com Nilo de Oliveira e Ramon Russo), o monumental "Batalha do Riachuelo" (com Molequinho e Penteado) e o já citado “Exaltação a Tiradentes” são verdadeiras obras primas que não foram compostas pela dupla.
A outra injustiça é cometida por aqueles que vêem Mano Décio apenas como compositor de sambas-enredos. Foi preciso que, já sexagenário, ele gravasse seus primeiros discos para que o público tivesse acesso a obras primas como “Adeus”, parceria com o portelense Alberto Lonato, e “Hoje Não Tem Ensaio”, com Darcy da Mangueira.
Falecido em 1984, aos 75 anos, Mano Décio permanece ao lado de Mano Elói, Mestre Fuleiro, Silas de Oliveira, Darcy do Jongo, Vovó Maria Joana, Carlinho Vovô, Alcides Gregório, Nilton Campolino, Calixto do Prato e tantos outros, como um ancestral maior da coroa imperial. Há de ser eternamente louvado nas rodas de samba e nos benditos entoados pelos jongueiros que varam a madrugada na mais nobre das serras.
Abraços




