E NÃO SE FALA SOBRE ISSO...
Já que falei do café no último texto, vou agora contar um episódio sobre a primeira tentativa de se estabelecer no Brasil o cultivo do chá. Adianto que o resultado da experiência é dos mais chocantes da história brasileira.
Foi nos tempos de D. João VI , mais especificamente em 1812 , que a corte tentou implementar no Brasil o cultivo do chá , tão afeito aos hábitos de consumo europeus. A idéia era a de estabelecer lavouras experimentais no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Para levar o projeto adiante , vieram para cá aproximadamente 200 agricultores chineses , oriundos da província portuguesa de Macau. A tentativa de cultivo do chá fracassou e o destino dos membros da primeira colônia chinesa em nossas terras marca um dos episódios mais estúpidos e lamentáveis que o Brasil presenciou.
Segundo denúncias de testemunhas, os trabalhadores chineses foram trancafiados em galpões do porto e posteriormente largados em florestas nos arredores da cidade do Rio, onde passaram a ser perseguidos por caçadores auxiliados por cães. O líder da corja de assassinos teria sido o príncipe D. Miguel , filho de Carlota Joaquina e D. João VI. O argumento da gangue de D. Miguel era o de que os nobres , todos eles muito jovens, estavam caçando os chineses por esporte.
Nenhum membro daquela primeira colônia de chineses a tentar a sorte no Brasil sobreviveu ao cerco dos aristocratas caçadores de gente.
Fica aqui o curto registro desse episódio para aqueles que encaram o bicentenário da chegada da corte ao Brasil como o início de uma era que teve apenas aspectos positivos e civilizatórios. O destino dos imigrantes de Macau permanece como um dos fatos mais desconhecidos e nebulosos do Brasil joanino.
Abraços.

4 Comentários:
isso daria um romance do cacete, Simão!
desconhecia completamente a história.
Qual a fonte?
abrãção,
mussa
Mussa, tem a tese de uma historiadora chamada Arlene Kelli sobre o fato: "Chinese and tea in Brazil: 1808 - 1822". Acho que é o único trabalho dedicado exclusivamente ao fato. Há referências em livros didáticos, mas a tese da Arlene é considerada referência sobre o episódio.
Abração.
Abração
Valeu, abraço
mussa
Nunca tinha ouvido falar nisso. Sinistro.
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