QUEM FOI LÚCIO DE MENDONÇA ?
Moro na Rua Lúcio de Mendonça, pertinho do estádio Mário Filho, o grande Maracanã. Não sei quem foi Lúcio de Mendonça. Não estou disposto também a descobrir quem foi o cabra pesquisando na rede. Aliás, pelo jeito, a prefeitura do Rio também não sabe de quem se trata. As placas das ruas da região do Maracanã foram trocadas recentemente e trazem informações sobre quem são os homenageados. Só não há isso na Lúcio de Mendonça .
Descobri, fuçando as placas , que Mariz e Barros (faz esquina com a minha rua) foi o Almirante que comandou o encouraçado Tamandaré, lendário navio de guerra brasileiro. O Professor Gabizo - outro homenageado por essas bandas - foi médico e - evidentemente - professor. Já o General Canabarro foi um revolucionário farroupilha que proclamou a independência de Santa Catarina durante a Guerra dos Farrapos. Esse eu já sabia. A rua que o homenageia é endereço do glorioso botequim da Confraria do Bode Cheiroso, uma espécie de meu segundo lar.
O famoso Haddock Lobo, que dá nome ao logradouro onde fica o edifício do bardo tijucano Eduardo Goldenberg, foi de tudo um pouco. Tá escrito o seguinte na placa da rua : médico, advogado, escritor, professor e delegado de polícia. Um sujeito prendado, o "Seu" Haddock. Não duvido, porém, que no ano de 2150 a Haddock Lobo se chame Rua Eduardo Goldenberg, em louvor ao ilustre morador da área.
Tivesse eu algum poder para isso, mudaria os nomes de todas as ruas próximas ao Maracanã para homenagear os craques que passaram pelos gramados do maior do mundo. Gostaria, por exemplo, que minha rua se chamasse Moacyr Barbosa, o goleiraço do escrete na Copa de 1950, injustamente crucificado após o Maracanazzo uruguaio. A Moraes e Silva poderia se chamar Zizinho e a Mariz e Barros, Rua Pompéia, em louvor ao goleiro malabarista do América. A Canabarro ficaria melhor como Rua Geraldo Assoviador. Combina mais com o Bode Cheiroso.
Por falar em ruas e logradouros, uma curiosidade que tenho é saber o que a prefeitura escreveu na placa do famoso Viaduto dos Cabritos, na Avenida Brasil. Acontece que o nome oficial do lugar é Viaduto Oscar Brito, que, salvo engano, foi um engenheiro. De Oscar Brito, o viaduto virou, com inestimável colaboração popular, dos Cabritos. Como a voz da massa é soberana, proponho que se legitime de uma vez por todas a homenagem da população ao bode jovem. Eu só me refiro ao viaduto como dos cabritos e pronto. O engenheiro Oscar Brito que me desculpe, mas nessa ele dançou.
Há outros fatos curiosos que a municipalidade poderia explicar nas placas. Exemplifico : o Quinto Alqueire ( V , na grafia romana ) acabou virando Valqueire e ficou por isso mesmo. A Ilha de Guaratiba não é ilha coisa nenhuma. A culpa da confusão é de um gringo que morou por lá chamado William e foi uma espécie de rei da cocada preta do pedaço , dono de propriedades na região . Mandava em tudo. Como pronunciar o nome do camarada era meio complicado , o William virou Ilha. As terras dali pertenciam ao "Seu" Ilha de Guaratiba. É mole ?
Fico por aqui com um pedido : Alguém, afinal, pode me informar quem foi Lúcio de Mendonça?
Abraços.

17 Comentários:
Você pode achar sobre Lúcio de Mendonça em http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%BAcio_de_Mendon%C3%A7a
Ele foi de tudo um pouco, advogado, jornalista, magistrado, escritor e idealizador da Academia Brasileira de Letras. Nasceu em 1854 e morreu em 1909
CH do Amaral, obrigadíssimo. Resta agora a prefeitura escrever isso na placa. De qualquer forma, a informação de que se trata de um magistrado, advogado, jornalista, escritor e, principalmente, idealizador da academia, reforça minha idéia: abaixo o Lúcio de Mendonça. Prefiro a homenagem ao Barbosa.
Abraço;
Seguindo a linha de Vila Valqueire, tem também Realengo, que vem da abreviatura de Real Engenho…
Simão, meu querido: ligeiramente infâme sua piada com relação a meu nome numa placa de rua - e justo a da rua onde moro, a gloriosa Haddock Lobo. Não há nada na minha vidinha mais-ou-menos que justifique isso, meu caro.
Creio ser mais possível, em razão das lendas que contam sobre você nas redondezas, que a Benevenuto Berna (esse eu não sei quem foi mesmo) vire Rua Professor Luiz Antonio e a Lúcio de Mendonça se transforme em Alameda Simas, já que desemboca na Moraes e Silva, que passaria a se chamar rua Candinha, pra tudo ficar mais romântico. Sacou?
E outro dia, fazendo palavras cruzadas, descobri mais uma do grande Haddock.
Você sabia que ele foi o homem a aplicar a primeira anestesia no Brasil?!
Salve o velho Lobo!
Beijo.
BOECHAT, bem lembrado.
EDUZINHO, não seja modesto. pelos serviços prestados ao nosso bairro sou, definitivamente sou, mais você que o velho Lobo. Quem viver em 2150 verá! Beijo.
Ah ! Essa da primeira anestesia eu não fazia a menor idéia.
Uma curiosidade a mais sobre o Lúcio de Mendonça: o nome dele tb é usado para nomear a Biblioteca Acadêmica da ABL.
E a rua Almirante Gavião do nosso querido Rio-Brasília? Quem seria este tal Almirante? Cá entre nós, ficaria melhor: Rua Rio-Brasília, ou Rua Bar do Joaquim. É ou não é?
Beijo, Simão
Fala Simas!
Infelizmente, a prefeitura aqui de SP andou trocando as placas de ruas e tirou a informação de quem foi o homenageado. Porém, um grupo fez um site que faz um apanhado das ruas daqui, que também serve como referência para muitas outras cidades.
Achei sobre Lucio de Mendonça o seguinte:
http://www.dicionarioderuas.com.br/LOGRA.PHP?TxtNome=RUA%20LÚCIO%20DE%20MENDONÇA&dist=29&txtusuario=&%20TxtQuery=1
É mais resumido que o wikipedia, mas dá pra passar algumas horas navegando.
Abraços!
Simas,
Concordo com você, acho que seria melhor colocar o nome do Barbosa e de outros craques nas ruas ao redor do Maracanã, principalmente, por que próximo à UERJ existe uma Praça que traz no nome uma infame homenagem ao General Medici.
Ah, sobre Realengo, tem uns chatos que defendem esta tese:
http://www.almacarioca.com.br/realengo.htm
Eu sou mais essa que o Leo Boechat citou, principalmente por remeter aos bondes.
Imagine o Simas sugerindo as mudanças e Cesar Maia aprovando. Vai ser um tal de nome de ex-jogadores do Botafogo nas redondezas.
em tempo: Perdão por incluir Simas e Cesar Maia na mesma frase.
Calvíssimo amigo, é bem verdade que faz tempo que a prefeitura poderia ter feito isso e só agora cumpre, mais ou menos, esta nobre missão civilizadora.
Dando aulas em Ipanema semanalmente pude reparar que diversas ruas tem nomes em referência a pessoas com presença na história Bahia. Joana Angélica e os parentes Visconde de Pirajá, Barão da Torre (foi coronel de regimento de milícias da Torre) e Barão de Jaguaripe (lutou pela independência do Brasil na Bahia). E até Vinícius cultivava uma casa em Itapoã.
Mas espanta ver que na Garcia D´Ávila não há qualquer indicação sobre o homem, ancestral do visconde e dos dois barões acima citados, e que foi um dos maiores latifundiários do Brasil, com terras que iam do recôncavo bahiano até as redondezas de São Luis do Maranhão, segundo consta.
Também iam escrever o que? Foi um dos maiores latifundiários do Brasil? Ficaria esquisito...
Em tempo: ficava bom também se as placas informassem quando as ruas foram abertas ou desde quando receberam seus nomes. A Guaxupé, onde moro, é uma homenagem ao município mineiro, e tem esse nome desde 1925.
Abraço!
Simão: você saberia me dizer qual a origem do nome da rua mais carioca da Tijuca, a rua do Matoso? Beijo.
Edu, boa pergunta. A placa não tem a resposta? Alô, Cereal. Descobre essa e passa pra rapaziada.
Grande Simão: sempre fui pelo resgate dos antigos nomes de rua, muito mais poéticos. O nosso centro seria muito carioca com as antigas rua do cano, do hospício, da vala, direita, etc.
Qualquer dia acabam com o beco das cancelas e a rua dos inválidos para homenagear um personagem qualquer.
Outra coisa que devia ser proibido substituir são os nomes indígenas. Por maior que tenha sido Rondon, Rondônia é infinitamente mais pobre que Guaporé. Sernambetiba muito superior a Oscar Niemaia.
Mas se você quiser conhecer melhor o Lúcio de Mendonça, te empresto dois livrinhos dele: esboços e perfis e horas do bom tempo. Gostou dos títulos?
abração
mussa
Beto, o homem escrevia bem?
Infelizmente, não. Quer dizer, corretamente, mas sem graça.
abração
mussa
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