DIA DE OUVIR ARACY DE ALMEIDA

Hoje, dia 20 de junho de 2008, é aniversário de morte - 20 anos - da maior cantora que o Brasil conheceu, a Dama do Encantado Aracy de Almeida. O segundo caderno do jornal O Globo - o de maior circulação do Rio de Janeiro - aborda o show de uma cantora que desconheço, uma tal de Joss Stone, uma série televisiva sobre a cantora Maysa, uma entrevista do novelista Gilberto Braga ao Museu da Imagem e do Som e a presença das celebridades Sabrina Sato, Letícia Weber, Luciano Huck e Alexandre Accioly no jogo entre Brasil e Argentina. Nada a respeito da Araca, a grande Aracy, que Noel Rosa considerava a maior intérprete de suas canções. Nenhuma surpresa.
Daqui, às margens do rio Maracanã, ergo meu primeiro copo em louvor a essa cantora maior - a maior ! - e escuto a monumental Aracy cantando O X do Problema. Essas afetadíssimas cantoras brasileiras modernas que aparecem aos montes - ecléticas, alternativas, descoladas e saltitantes - deveriam ajoelhar no milho todos os dias e ouvir a Araca para aprender, quem sabe, alguma coisa. Acho difícil, mas não custa tentar.
Chama Aracy de Almeida!
Abraços.

12 Comentários:
Disse tudo! Belíssimo texto.
Simas,
enviei pelo teu e-mail um texto do imortal jornalista-escritor João Antonio, publicado um ano depois da morte da Araca.
Logo mais tomarei um rabo-de-galo pela Dama do Encantado.
Esses jornaslistas de merda metidos a intelectuais nunca devem ter ouvido falar da Aracy. Esse segundo caderno é um nojo. O que interessa para essas criaturas são os eventos "clubber", as "raves", os lugares "lounge", e coisas bizarras do gênero.
Salve Aracy de Almeida!
RODRIGO E FELIPINHO, salve a nossa Araca, a maior!
DAVID, obrigadíssimo pelo texto; tomarei também um rabo-de-galo dos bons. A Dama merece. Abraço.
Falou e disse, Simas! Araca foi mesmo a maior. Evidente que meu amor (cego) por Clara Nunes me impede de dizer assim com todas as letras, mas acho que Aracy de Almeida é uma estrela acima de qualquer reconhecimento. Não se faz mais cantoras como ela! Pelo menos, em São Paulo, há uma bela voz, evocativa do timbre e da interpretação de Araca: busque ouvir Paulinha Sanchez. Não é difícil encontrá-la no Ó do Borogodó! Beijo!
Dama do Encantado com certeza: rua Almeida Bastos. Aracy e Tutty Vasques foram meus vizinhos mais ilustres; ela, de muro. Fui seu inimigo público #1.
Pra mim, hoje com 50 anos, a carreira da Aracy foi marcada como jurada do Sílvio Santos. Como pessoa, uma autentica misantropa. Embora desconheça sua carreira como cantora, seu sucesso é inegável.
Simas, belíssima homenagem. Conheço a Paulinha Sanches que o Bruno mencionou. O repertório dela é excepcional, cheio de sambas de breque e sambas sincopados. Ela canta todas as quintas-feiras no Clube etílico Musical (Meirinha) aqui perto de casa, junto com o Edu Batata. Abraço, Arthur Mitke
Não sei se vc vai ler este comentário a tempo, mas acabei de saber que hoje às 20:30 na TV cultura a Paulinha Sanches vai aparecer no programa Mosaicos. Arthur Mitke
Disse um monte de bobagens e esqueci o principal: Araci pode até não ter sido a maior cantora brasileira de todos os tempos, mas certamente foi, na minha modestíssima: 1) uma das maiores; 2) a maior intérprete feminina do samba; 3) a mais afinada de todas as cantoras brasileiras. Nesse quesito, aliás, Isaurinha não lhe podia desamarrar as sandálias.
Faltou o outro comentário....(o com um monte de bobagens :-( )
Ô Szegeri, meu velho, esse comentário com as bobagens não chegou ao blog. Agora estou curioso, até porque não imagino você escrevendo bobagem nenhuma. MAnda de novo, cacete. Abração!
Olha, Velho, não vou lembrar tudo. Mas eu dizia que a querida Paulinha Sanches inspira-se muito na Isaura Garcia, e não na velha Araca. As duas grandes sambistas tinham timbres bastante parecidos, o que explicaria a aproximação, mas uma era a rainha da bossa carioca, suburbana, enquanto a outra, paulistana de quatro costados, foi a pioneiríssima de uma grande linhagem de intérpretes do samba sincopado aqui na Terra da Garoa (que prosseguiu com Caco Velho, Germano Mathias, Jorge Costa, Miriam Batucada), bastante diferente da que floresceu aí no Rio, cujos máximos representantes foram Luiz Barbosa, Cyro Monteiro e Jorge Veiga. Araci, apesar de dividir maravilhosamente, nunca foi muito da praia do sincopado da pesada.
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