SAMBA NA OUVIDOR
Dia 20 de janeiro. Festa do padroeiro, vinte e cinco anos que Mané Garrincha foi oló e aniversário de dez anos da livraria Folha Seca - com direito a roda de samba em plena Rua do Ouvidor. Quando a festa acabou, ao som de Oxóssi, samba primoroso de Roque Ferreira, a impressão era a de que vivemos o maior 20 de janeiro de nossas vidas. Ouvi isso de um bando de gente.
Foi de fato um domingo lendário. Estimulado por uma quantidade industrial de cerveja cheguei a declarar que era o maior momento da história da cidade desde a chegada de D. João VI. Mantenho, absolutamente sóbrio, o que disse. Foi a melhor roda de samba que a Folha Seca realizou nesses dez anos de história - e digo isso porque fui a quase todas as rodas que a livraria promoveu nesta década de vida. A chuva não atrapalhou nada e a homenagem ao Império Serrano foi comovente. Houve uma impressionante onda imperiana que se manifestou na procura pelas camisas-convites que o Marcelo Moutinho - um dos organizadores da festa do imperiano de fé (falarei depois sobre o evento) - levou para vender.
Gabriel da Muda - com repertório primoroso - estava inspirado, Prata fez o diabo com o sete cordas, Pedrinho Amorim foi, como sempre, grande, e os demais músicos mataram a pau. Felipinho trouxe gente da Espanha, Cássio Loredano - desde já o papai do ano - meteu bronca no tamborim, Carlinhos Laguna declarou-se imperiano de coração, Rui Castro compareceu com seu traje de verão e o porre coletivo foi rigorosamente inevitável. Minha mesa, com quatro pessoas bebendo , consumiu cinquenta e duas garrafas de cerveja. Fiz umas cinco amizades de infância durante o evento. Mais do que isso, a cidade que não se acovarda estava ali, ocupando a rua mais tradicional do Centro, mostrando que temos a vocação para a rua, para a festa, para a alegria. Digão e Dani, os pais da criança, estavam visivelmente felizes e a nossa Folha Seca merece os parabéns. Valeu!
(Acabei de receber do Digão a foto acima. Estou cantando algum samba imperiano , vestido com uma camisa em homenagem a Mané Garrincha que só uso em ocasiões rigorosamente especiais.)
Abraços !

2 Comentários:
Um domingo de lavar a alma - literalmente!
Pois é, irmão,
e eu aqui trabalhando!
Fazer o que?
abraço
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