1 de jan de 2008

PRIMEIRAS IMPRESSÕES CARNAVALESCAS

Comecei o ano de 2008 em casa, tomando uma cervejinha e ouvindo o quase centenário Cartola. Aliás, não custa lembrar que no ano do centenário de seu maior sambista, a Mangueira prestará na avenida uma homenagem a outro centenário: o do frevo pernambucano. Nada contra o frevo, mas a efeméride da dança das sombrinhas foi comemorada em 2007. Concluo então que nos 100 anos do Cartola a Manga relembrará os 101 anos do frevo.
Em matéria de enredos a coisa este ano está feia. A Beija-Flor homenageará a cidade de Macapá, a Grande Rio defenderá a importância do gás, a Porto da Pedra falará do Japão e a Portela resolveu defender a preservação da natureza, esperando inclusive contar no seu desfile com o folião Al Gore, o político norte-americano que virou musa da luta contra o aquecimento global. O objetivo da Portela é conscientizar o povo da necessidade da batalha contra o aquecimento. Cáspite. Belo motivo carnavalesco - lembrar que morreremos inundados ou torrados e transformar isso em samba. A Portela, como se vê, promete.
O Salgueiro homenageará o Rio de Janeiro; São Clemente, Mocidade e Imperatriz desenvolverão enredos sobre aspectos da presença de D. João VI no Brasil; a Viradouro tem um enredo com o título "É de arrepiar", do carnavalesco Paulo Barros - ninguém entenderá porra nenhuma do desfile mas o Paulo Barros será novamente considerado gênio. A Unidos da Tijuca falará dos colecionadores e suas obsessões.
Nos grupos de acesso A e B a coisa também está esquisita. Pouca coisa tem condições de acabar em samba. A Santa Cruz falará de Itaguaí, a Caprichosos de Pilares transformou o poló petroquímico de Itaboraí em enredo, a Unidos de Lucas apresentará a história do Piauí, a União de Jacarepagua contará a história da princesinha do Atlântico, a cidade de Macaé!
A preservação da natureza está com tudo. O Boi da Ilha do Governador apresentará o enredo "Gaia, a reação da mãe terra - uma história que deve ser contada de outra maneira". O samba é pra animar qualquer folião. Leiam esse trechinho, por favor:
Ouvindo o som dos quatro cavaleiros
Alertando o mundo inteiro
Tudo vai se acabar
Pois afinal são sinais dos tempos
É a revolta das águas, dos ventos
É o juízo final, o sofrimento
Gaia vai daqui nosso lamento.
Os componentes certamente desfilarão aos prantos com um negócio desses.
Palmas para o meu Império Serrano, que virá com a alegria da pequena notável, Carmem Miranda, e para a valente Paraíso do Tuiuti, que teve a vergonha na cara que faltou aos diretores mangueirenses e homenageará o mestre Cartola.
Abraços

4 Comentários:

Blogger Eduardo Goldenberg disse...

É isso, querido... as escolas de samba, super s.a., como cantou e anteviu o seu Império, mesma escola de meu pai, são o reflexo da mediocridade que nos cerca cada vez mais de perto. Ainda de Santa Tereza (o bicho pegou por aqui, depois te conto!) mando daqui meu beijo pra você e pra minha afilhada querida. Que venha 2008, eles não passarão!

11:13 AM  
Blogger Bruno Ribeiro disse...

Por essas e outras é que deixei de acompanhar com interesse os desfiles. O pior de tudo, sabemos, é que não se trata de falta de criatividade, mas de vergonha na cara. A Tuiuti, você tem razão, é uma das poucas que tenta, desde alguns carnavais, manter o mínimo de dignidade. Um abraço salgueirense, mas repleto de carinho e admiração pelo Império Serrano.

6:20 PM  
Blogger Marcelo disse...

Tá cada vez mais foda mesmo. Ontem escutei os discos da década de 80. Safras como a de 1980, com "Sonho de um sonho" e "Hoje tem marmelada", a de 1982, com nosso "Bum Bum", "A ressureição das coroas", a de 1983, com "Màe baiana mãe", a de 1984, com "Quem é você", "Contos de areia" e "Skindô, skindô"... Dá uma saudade danada. Mas ainda se acha coisa boa aqui e ali. Os sambas do nosso Império em 2006 e do Império da Tijuca no ano passado são provas disso. É agulha no palheiro, mas, diante do quadro das "superescolas de samba S.Ä.", ao menos serve como alento.

10:42 PM  
Blogger Arthur Tirone disse...

É Simão... Acompanho minha Verde e Branco indo à quadra e fazendo uns pagodes nas barracas do lado de fora, mas pra desfile perdi o tesão há muito. Desde 1968, quando assassinaram os Cordões e seus balizas, batedores e porta estandartes.

Abraço, Velho.

9:29 AM  

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