28/01/2008

BRONCAS

Fica registrado meu protesto contra um futebol cada vez mais mercantilizado, empresarial, transformado em "big business" ( a expressão escrota foi usada por um dirigente de grande clube carioca) , que apresenta um campeonato carioca com Duque de Caxias, Macaé, Resende, Cardoso Moreira e quejandos, enquanto os tradicionais São Cristovão, Olaria, Bonsucesso, Bangu e Campo Grande gramam nas divisões inferiores, fadados ao esquecimento e, quem sabe, ao fim de seus departamentos de futebol profissional.
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Vou aproveitar a bronca e pegar o bonde do carnaval. Essa maluquice no futebol é o mesmo fenômeno que faz com que uma escola de samba importantíssima como a Tupi de Brás de Pina - que desfilou com o seminal samba-enredo "Seca do Nordeste" em 1961 - tenha, por absoluta penúria, deixado de existir, enquanto coisas alheias ao universo do samba, como a Acadêmicos do Grande Rio, estão por aí, confundindo berimbau com gaita.
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A coisa está tão feia que as escolas de samba e os clubes de futebol estão se igualando também na infidelidade de seus membros. Da mesma maneira como o futebol generalizou a presença de jogadores de alta rotatividade - que atuam em vinte e tantos times ao longo da carreira, beijam todos os escudos e sempre declaram estar finalmente jogando no motel, ou melhor, no clube de seu coração - o troca-troca nas escolas passou dos limites e virou suruba. Os puxadores de samba, por exemplo, trocam de agremiação como mudam de cueca. Nêgo, que já foi Beija Flor, Unidos da Tijuca, Grande Rio e Império Serrano, agora defende as cores da Unidos do Viradouro. O compositor Arlindo Cruz, de notória tradição imperiana, largou a escola, fez samba para a Grande Rio e participou de um show para angariar fundos para a Mangueira, pobrezinha de marré-de-si. Existem exemplos aos montes; as exceções apenas confirmam a regra.
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Nessa mesma linha, e para terminar a bronca, o novo jurado de alegorias e adereços do carnaval carioca, Bruno Chateaubriand, declarou que conhece profundamente as escolas de samba e é capaz de julgar qualquer quesito com maestria. O socialite deu como testemunho de seus conhecimentos sobre o balacobaco da Sapucaí a informação de que já desfilou em todas as 12 agremiações do grupo especial, soltando, evidentemente, a franga. É a prova evidente que de escola de samba o menino-pombagira não entende picas (opa!). Um cidadão desse tipo, de resto tão inútil quanto o anjo da guarda da família Kennedy, é a expressão definitiva do que estão fazendo com a nossa paixão.
Abraços

4 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Anjo da guarda da família Kennedy foi demais, meu chapa. Ainda estou mijando de tanto rir. Zé Sergio.

10:48 AM  
Blogger Marcelo disse...

A perda de importância dos pequenos da cidade é paralela à perda de importância de várias escolas da cidade. É a luta da grana nos municípios contra a falta de grana dos bairros... Uma pena mesmo

11:29 AM  
Anonymous leo boechat disse...

Acho que você tá de marcação, pegando no pé (opa, olha a margem…) do Chateaubriocque. Já analisou os outros jurados?

12:16 PM  
Anonymous Betinha disse...

Também adorei a menção à inutilidade do anjo da guarda da família Kennedy! Muito bom.

4:18 PM  

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