12/04/2007

MENINOS, EU VI !


O Maracanã, senhoras e senhores, assistiu ontem a uma verdadeira epopéia. O clássico entre Botafogo e Vasco foi daqueles de fazer a Guerra de Tróia parecer uma briga de vizinhos por causa de mulher em uma vila do Lins de Vasconcelos. Nunca foi tão pertinente o jargão - Há coisas que só acontecem com o Botafogo. Desta vez, pelo menos, o imponderável nos sorriu e os deuses do futebol disseram amém.

Não há explicação plausível para os primeiros cinco minutos de jogo, com dois gols do Vasco e um do Botafogo acontecendo de forma fulminante. Desde já, ficam para os anais como um enigma a ser decifrado, com a dimensão metafísica do segredo da Santíssima Trindade.

Só o não-dito, o insofismável, o absurdo, pode explicar que oito jogadores tenham feito gols na peleja e nenhum deles tenha sido o baixinho Romário, que continua, assim, seu calvário dos 1000 gols. De minha parte, com a convicção insana de um João Batista no deserto, besuntado de mel e empanzinado de gafanhotos, continuo pregando - Nunca fará!

Não há, também, teorema que explique a reação formidável do Botafogo, os outros gols do Vasco e a disputa de pênaltis, verdadeiro teste para cardiopatas. Vivemos, os que estivemos no Mário Filho, uma noite memorável. Cheguei em casa, ainda desconfiado que podería ter um derrame, e falei para minha mulher:

- Você não faz idéia do que aconteceu há pouco no Maraca.

Tenho absoluta certeza de que o que perguntei para ela tem a mesma dimensão histórica, quiçá maior ! quiçá maior! , do que algum sans-cullote deve ter dito para a mulher ao chegar em casa em uma certa noite de 1789, no verão parisiense :

- Querida, você não faz idéia do que aconteceu hoje na Bastilha.

Peço licença para agradecer ao Alberto Mussa, tremendo escritor que me cedeu gentilmente as cadeiras cativas para o clássico e me acompanhou na epopéia, e termino esse texto, pequeno para a dimensão magnífica do tema, para ir gravar o vídeo-tape. Quero, num futuro distante, rever o jogo ao lado dos filhos dos meus filhos e dizer, com a empáfia das testemunhas da história, aos moleques no final:

- Meninos, eu vi!

10 Comentários:

Blogger Bruno Ribeiro disse...

Imaginei mesmo que você fosse estar presente. Puta que o pariu, essa eu perdi por pouco!

4:29 PM  
Blogger Eduardo Goldenberg disse...

Ah, Luiz Antonio, que sorte a sua ter ido ao Maracanã na companhia desse grande escritor que é o nosso Beto Mussa, tremendo contador de causos gostosos e com quem - falo por mim, falo por mim! - sempre aprendo!

7:04 PM  
Blogger Szegeri disse...

Amarildo, e aquele gol que ele tenta fazer (acho que foi o erceiro do Vasco) e a bola vai indo, vai indo, e ele vai tentando, tentando alcançar e ela carprichosa, malditamente, entra direto??? Se o "Baixinho" tivesse crescido mais 1 cm, ontem teria "igualado" o feito do Rei Pelé! Um dos lances mais tragi-patéticos da história dos gramados...

7:44 PM  
Anonymous zé sergio disse...

Antológicos, meu caro: o jogo e este texto!!! Sobre o jogo, em certo momento fiquei apenas com as imagens, pois não aguentei o Galvão cacarejar (devem ter sido 776 vezes) sobre o milésimo que não saiu. Lá pro final da transmissão, religuei o som e o locutor de comerciais falava sobre o drama que estaria vivendo Rrrrrrromárioooo por não estar conseguindo fazer o gol. Patético! Saudações alvinegras!

8:27 PM  
Anonymous Thiago Passos disse...

Simas

Você tem como retir a praga que jogou no Romário se ele disputar o próximo campeonato pelo America???

Imagina só você relatando o Gol mil direto de Edson Passos???

Não posso te convidar para cadeiras cativas no Maraca, mas garanto a carona e a cerveja no estádio do America

Abraços

1:01 AM  
Anonymous Favela disse...

Talvez eu tenha sido o único que leu seus dois textos falando sobre este épico jogo. O primeiro deve ter ficado no ar poucos minutos. Estava engraçado!
Assisti ao final do jogo (após o término do Palmeiras) num playboll da vida, após jogar uma pelada. A porra do canal que estava passando não mostrou os pênaltis! Ficaram exibindo o baixinho caído no chão, simulando cãibras... um horror.
Abraço!

10:50 AM  
Blogger Luiz Antonio Simas disse...

FAvela, o primeiro texto simplesmente desapareceu quando fui postar a foto da torcida. Nem me lembro exatamente o que tinha escrito. Abraço

12:30 PM  
Blogger Luiz Antonio Simas disse...

Thiago, meu velho: Nunca fará!!

4:49 PM  
Blogger Beatriz Fontes disse...

Simas, querido! Ficamos eu e Flávio apreensivos, pensando em você, enquanto tomávamos uns chopes no Otto. Fico feliz em saber que você sobreviveu à emoção! Mais feliz ainda pelo privilégio de ler este seu relato... Entretanto, diria, um pouco triste porque você não levou o Edu junto. E, com isso, perdemos mais uma excelente seqüência de vídeos registrando a sua pessoa. Uma pena! :-) Mas valeu, mestre! Valeu!

3:32 PM  
Anonymous Pedro(um aluno) disse...

GENIAL!!! GENIAL!!!
que clássico magnífico!!!
em minha humilde opinião, o ápice do jogo foi o tragicômico lançamento oblíquo do baixinho em busca do cabeceio, a pelota passou a milímetros!!!
não vi no maraca(e muito me arrependo), mas imagine que a tv mostrou o lance 150x...
poucas vezes eu ri tanto na vida!!!
GENIAL!!! GENIAL!!!

6:40 PM  

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