22/03/2007

THEREZOPOLIS NO BAIACU

Domingo, oito e meia da manhã. Recebo um telefonema urgente, coisa da maior seriedade:
- Simão, Edu falando.
- Diga lá, mano.
- Acabei de tomar uma cerveja de outro mundo! Therezopolis Gold. Manjas?
- Nunca ouvi falar.
- Eu também não conhecia. Incrível. E existe desde 1912.
- Onde você tomou?
- Aconchego Carioca.
Desligamos. Eu, tomado de ansiedade brutal, acordo a Candida:
- Meu amor, vamos sair. Coisa séria. Caso de vida ou morte.
- Quem morreu?
- Ninguém. Mas é urgente. Se veste que eu te explico.
E fomos ao Aconchego Carioca. Bar absolutamente vazio, parecendo o Maracanã em dia de Madureira e Americano. Pedimos duas garrafas da cerveja recomendada pelo Edu e, acreditem, chegamos muito próximos da epifania. Acabamos liquidando umas oito garrafas e mandando pro bucho uma carne de sol daquelas de amansar cangaceiro e burro brabo. Isso tudo às onze da matina.
Na noite seguinte, acompanhados do Edu, fomos jantar no Aconchego. De cara, foi a Candida que colocou as coisas em seus devidos lugares:
- Therezopolis Gold, por favor.
E, acreditem, acabamos com o estoque da casa. Na falta de outra, optamos por um arremate com a Antártica Original, uma cerveja pelo menos honesta. Pareceu-me, juro pelos deuses, com gosto de mijo. A diferença é brutal. Resolvemos, então, investir em uma cerveja alemã de nome impronunciável, sugerida por uma bichinha gorda que estava na mesa ao lado e atendia pelo pimposo apelido de Boto. Não chegou aos pés da Gold. Nem aos pés.
Saímos dali preocupadíssimos. Onde encontrar a cerveja? Entramos, então, com o desespero dos náufragos, no site da Therezopolis (www.therezopolisgold.com.br) em busca de informações. Onde comprar? Lidador e uma meia duzia de lojas afrescalhadas. Danou-se. Crise de abstinência na certa. Ninguém vende a Therezopolis Gold.
Eis, porém, que a vida , como o futebol, e aqui cito o filósofo Roberto Rivelino, é uma caixinha de surpresas. Na tarde de hoje, eu, Edu e Rodrigo Ferrari resolvemos tomar umas Brahmas na Folha Seca. Em determinado momento, o Edu faz uma sugestão em tom de sacanagem ao Leudo, garçom da Toca do Baiacu, o pé-sujo ao lado da livraria que leva a cerveja pra rapaziada:
- Leudo, pede pro teu patrão comprar Therezopolis Gold pra vender no Baiacu.
E o Leudo manda na lata:
- Ué. Mas tem no buteco. Só que ninguém quer beber essa merda e a gente nem oferece.
Bastou ouvir isso que o distinto advogado Eduardo Braga Goldenberg surtou. Aos berros, correndo em círculos, jogou fora a Brahma e começou a gritar:
- Quero todas! Quero o estoque! Tudo!
Eu, com os olhos marejados, não acreditava na notícia. Digão, impressionadíssimo, ainda disse:
- Edu, a Therezopolis é mais cara...
- Eu pago! Pago todas! Urrava um possuído Eduardo, nessa altura de joelhos e, estranhamente, repetindo:
- Ninguém, ninguém segura o Khalil!
Logo depois, começou a cantar ladainhas em louvor a Nossa Senhora de Nazareth, sabe-se lá o motivo, numa estranha procissão de um homem só.
E tomamos, acreditem, a Therezopolis Gold, dificílima de se encontrar, em um pé-imundo da Rua do Ouvidor. O estoque, evidentemente, foi liquidado.
Clamo, por isso, pela mudança imediata nas informações que o site fornece. É urgente que a Toca do Baiacu esteja citada ao lado de uma porrada de delicatessens (ui!!) como um local onde se encontra a cerveja. Acabei de mandar, inclusive, mensagem com essa exigência a quem de direito. A cerveja é ótima, mas vamos parar de frescura. A César o que é de César e ao Baiacu o que é do Baiacu.
Axé.

18 Comentários:

Anonymous fraga disse...

Fraternos Simas, Edu e Digao (a falta de acento se deve a esse teclado maldito, aqui dessas terras longinquas),

A Therezopolis, apesar da infame alegacao de datar de 1912, eh, na verdade, oriunda da velha e boa Comary (essa, sim, fundada naquele ano), tradicional fabricante de bebidas quentes.

Quando cismei de montar uma cervejaria, a Itaipava, fiz profunda analise de mercado, em especial o europeu, e constatei que o melhor paladar para nos era o da "antiga" Original - muito bem acentuada pelo Comandante-em-chefe como tendo gosto de mijo -, e hoje entregue a esses safardanas que dirigem a malsinada Ambev, a que destinaram rumo identico ao da "falecida" Bohemia.

Velhos tempos da Alfredo Pacha ...

Hoje, apesar da dificuldade de ser encontrada (compro-a aa base de lotes), a melhor cerveja nacional eh, de longe, a Serramalte, pela qual temo tenha o mesmo destino das demais citadas.

Abracos fraternos e saudosos a todos,

Sarava!


p.s. Edu e Digao, que beleza o Mengao!!!!

9:39 PM  
Blogger Eduardo Goldenberg disse...

Fraga: que beleza, mesmo! E o Flamengo segue a trilha. Vai ganhar tudo em 2007! Saravá!

Simão: preciso do início ao fim, como eu. Esqueceu-se você, porém, de um detalhe.

Vem o Leudo à livraria já com a gorduchinha.

Você não crê na visão.

E liga pra Candinha:

- Candida... você não sabe o que aconteceu... - em tom gravíssimo.

Nós, que não a ouvíamos, evidentemente, só ouvimos, sem segundos, sua gargalhada de Exu-Caveira, gritando o nome da cerveja.

Puta texto, querido.

2:03 AM  
Anonymous Leo Boechat disse...

Edu: esse seu ataque comemorativo na Folha Seca lembrou: "Já começou a liquidação na Importadora Guanabaaaaara!!!"

Camarada S.: Nem sempre o Edu estará por perto para pagar os estoques de TG. O preço no ex estabelecimento do seu Davi está acessível?

11:18 AM  
Blogger Luiz Antonio Simas disse...

Boechat, a cerva custa, se não me engano, 4,50. Vem cá...tu achas que o Edu pagou?

1:07 PM  
Blogger Szegeri disse...

Só mais uminha, pro Fraga et caterva. Eu, particularmente, não sou apreciador da Serra Malte, que aqui em SP tem em qualquer lugar. Mas é questão estritamente de gosto, não se pode reconhecer que seja uma bela cerveja. Mas como vc mencionou as barbaridades que a dona ambev (ninguém pode dizer que eu não avisei) faz com as nossas cervejas como a Bohemia e a Original, outro dia achei uma Brahma Extra de garrafa grande! Quase gozei ante a visão daquela garrafa que era quase uma imagem mítica da minha adolescência, que há anos só encontrava nas odiosas longuinéquis, mesmo essas sumidas ultimamente. Mas minha emoção durou tanto quanto a alegria de um gol anulado, como diria o Poeta. O que fizeram com a velha Brahma Extra... Não digo que esteja má de todo, como não acho a Original má, mas nem sombra do portento de outrora. Ninguém pode dizer que eu não avisei.
Se encontrar por aí uma garrafa da velha Antarctica Pilsen Extra, nem me atrevo a me animar... :-(

7:08 PM  
Anonymous fraga disse...

Monumental Szegeri,

So me resta uma alternativa: chegando de viagem na semana que vem, descer em Sampa, na quinta-feira, e tratar pessoalmente do asunto com voce, em alguma boa casa do ramo, conforme sua determinacao.

Sarava!

10:49 PM  
Anonymous fraga disse...

Pompa,

Por ultimo, bela lembranca a sua em relacao aa Pilsen Extra, com seu inigualavel rotulo dourado, dupla faixa azul e os inesqueciveis pinguins ...

Sarava!

10:52 PM  
Blogger Szegeri disse...

Dois pitaquinhos, daqui destas (nem tão) longínquas plagas:
1) O Aconchego Carioca é o maior butiquim do Brasil.
2) R$ 4,50 vocês acham cara??? Venham tomar em Sampa...

6:54 PM  
Blogger Luiz Antonio Simas disse...

Szegeri e Fraga,
agora danou-se. Preciso tomar a Serra Malte com urgência.Dedicarei parte do meu sábado a procurá-la por aqui. Se bobear, paro qualquer hora dessas em São Paulo.
Axé

6:56 AM  
Anonymous fraga disse...

Simas,

Me espera que eu tô chegando na quinta-feira.


Szegeri,

Fui pedalar com o Digão na semana passada, e encontramos, na aprazível Jurujuba, em Niterói, Original mofada a 3 merréis ...

Saravá!

6:02 AM  
Anonymous Marcelo disse...

Rapaz, por coincidencia ia comentar sobre essa cerveja espetacular amanhã no blog. Apesar de ser tão antiga, tbm conheci há poucas semanas, numa esticada a Teresópolis com a Flá. Fomos à Casa Alpina e lá o garçon me sugeriu. Fiquei fã imediatamente e passei o fim de semana à base de Terezolopis GOld. Descobri um posto aqui no Jardim Botânico que vende. Ontem comprei cinco garrfas pra manter na geladeira. Vamos marcar de derrubar umas aqui em casa!

10:20 PM  
Blogger Neguinha Suburbana disse...

Isso, isso! Venham matar umas aqui em casa! Adoro visitas! Chega de perna pro ar na cama! Por favor! Quando voces vêm??

Beijos,
Flá, a Sra. Moutinho. Mais conhecida atualmente como Flá-joelho-biônico.

11:15 AM  
Blogger Luiz Antonio Simas disse...

Flá,
iremos quando o Moutinho revelar o endereço correto do posto no Jardim BotÂnico. O abastecimento é um problema sério.
Beijos e melhoras

2:51 PM  
Blogger Bruno Ribeiro disse...

Simão, eu bebo! Eu bebo essa cerveja aqui em Campinas! No Nosso Bar, que é um butiquim dentro do Mercado Campineiro. Pensei que só eu bebia essa porra! Maravilha!

11:12 PM  
Blogger ghartv disse...

vcs. encontram a Therezopolis gold no Rio Minho (é na Ouvidor, 10 só andar mais um pouquinho da Folha Seca; no bar não no restaurante que é muito mais caro vcs. podem tomar a melhor Leão Veloso que cai como uma luva com a TG) e no Bacalhau do Rei no início da Marques de São Vicente na G´vea tem à vontade) e é do que sei porque achava que só eu gostava e já não corro muito atrás.
abraços
Gilberto Vieira

4:25 PM  
Blogger Marcelo disse...

A Serra Malte é muito boa. Tomo sempre que vou a São Paulo. Mas acho a Terezopolis ainda melhor...

11:23 PM  
Anonymous Wander disse...

Achei a gordinha no Extra Maracanã, a módicos R$ 3,50. Comprei duas caixas, que já viraram mijo.
Fiquei em dúvida se deveria postar aqui. Cês vão acabar com o estoque...
Ou fazer o Extra aumentar o preço!

sds, Wander.

1:47 PM  
Anonymous Anônimo disse...

Quem é o Botto:
http://oglobo.globo.com/blogs/cervejaso/post.asp?cod_Post=83845&a=276

8:23 PM  

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